terça-feira, 9 de novembro de 2010

DIGA NÃO AO PRECONCEITO









segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Eu recomendo...

Olá pessoal. Segue abaixo uma lista de sites e blogs interessantes para quem ama a liturgia. Vale a pena conferir. Abraços e Paz para todos e todas.


http://arquiteturaeliturgia.blogspot.com/
(Blog interessante sobre arquitetura, liturgia e arte sacra. Vale a pena conferir)

http://euriferreira.blogspot.com/
(Blog de um grande amigo Eurivaldo S. Ferreira, músico, compositor, teólogo e membro da Rede Celebra - rede de animação litúrgica)

http://liturgiasal.blogspot.com/
(Blog do Serginho Valle. Traz dicas muito úteis sobre liturgia)

http://www.sacramentos.org/
(Site em espanhol com bastante material sobre os sacramentos em geral. Muito bom.)

http://www.liturgia.it/
(Excelente site em italiano sobre liturgia. Muita coisa boa se encontra lá.)

http://www.sdplviseu.web.pt/
(Site de portugal, do Secretariado Diocesano de Pastoral Litúrgica de Viseu. Excelente!)

http://www.liturgiaporamor.com.br/
(Mais na linha da Rede Celebra, traz material interessante Ofício Divino das Comunidades, Canto Litúrgico, Espaço Litúrgico e muito mais...)

Sentido Teológico-litúrgico do Altar Cristão



CRISTO É O ALTAR VERDADEIRO

Sabemos que os primeiros escritores cristãos, chamados Padres da Igreja, depois de terem lido, ouvido e meditado profundamente a Palavra de Deus, não tiveram nenhuma dúvida em afirmar que Cristo é a vítima, o sacerdote, o altar de seu sacrifício. Aliás, já a própria Palavra de Deus nos apresenta Cristo como o Cordeiro imolado (Ap 5,6), o Sacerdote supremo, o Altar vivo do Templo celeste (cf. Hb 4,14; 13,10). Portanto, Cristo, Cabeça e Mestre de todos nós, é o verdadeiro altar.

EM CRISTO SOMOS TAMBÉM ALTAR

Isto significa que, sendo Cristo a Cabeça do seu Corpo, que é a Igreja, logicamente seus membros e discípulos, os cristãos e as cristãs, podem ser considerados também, em Cristo, como outros tantos altares. Altares espirituais, nos quais se oferece a Deus o sacrifício de uma vida santa. Quer dizer: sobre o altar de nós mesmos, “sacrificamos” a nossa vida em favor dos nossos irmãos e irmãs, sobretudo os mais pobres. Como fez Jesus! Os próprios antigos Padres da Igreja sugerem toda essa compreensão de altar.

Santo Inácio de Antioquia († 117), ao ser levado a Roma para ser martirizado, fez o seguinte pedido: “Não me dêem nada mais do que ser imolado a Deus, enquanto o altar ainda estiver preparado”. São Policarpo († 156), ao exortar as viúvas a levarem uma vida santa, diz que elas “são altar de Deus”. E vejam o que escreve o papa São Gregório Magno (590-604): “Que é o altar de Deus? Não é o espírito dos que vivem no bem?...

É muito certo, pois, que se chame de altar o coração (dos justos)”. Ou também, usando outra imagem, a partir do escritor cristão Orígenes († 254), a Igreja hoje afirma: “Os fiéis que, entregues à oração, oferecem preces a Deus e imolam vítimas de súplicas, são pedras vivas com que o Senhor Jesus constrói o altar da Igreja” (cf. Ritual da dedicação de altar, n.º 2).

O ALTAR, MESA DO SACRIFÍCIO E DO BANQUETE PASCAL

Porque Cristo é o altar verdadeiro e, em Cristo, também nós somos altar, é natural que a mesa sobre a qual oferecemos a Deus o sacrifício de Cristo (e, em Cristo, o nosso sacrifício), e em torno da qual participamos do banquete pascal que nos é dado pelo Senhor, venha a ser chamada também de altar.

Neste sentido, a Igreja hoje nos ensina:

“Cristo Senhor, pelo memorial do sacrifício que, na ara (altar) da cruz, iria oferecer ao Pai, instituindo-o sob a figura de banquete sacrificial, santificou a mesa, em torno da qual os fiéis se reuniriam, a fim de celebrar a sua Páscoa.

Por conseguinte, o altar é a mesa do sacrifício e do banquete; nela o sacerdote, tornando presente o Cristo Senhor, realiza aquilo mesmo que o Senhor fez e entregou aos discípulos para que o fizessem em sua memória; o apóstolo claramente o indica ao dizer:

O pão que partimos, não é a comunhão com o corpo de Cristo? Já que há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão’” (Cor 10,16-17) (cf. Ritual da dedicação de altar, n.º 3).

SINAL DE CRISTO

Em todo lugar, atendendo às circunstâncias, os cristãos e cristãs podem celebrar o memorial do Cristo e sentar-se à mesa do Senhor. Mas é bom que haja um altar estável para a celebração da Ceia do Senhor. Harmoniza-se com o mistério eucarístico, motivo pelo qual se trata de um costume que vem da mais remota antiguidade cristã. No atual Ritual da dedicação de altar está escrito que, por sua natureza, o altar cristão “é a mesa própria para o sacrifício e o banquete pascal: mesa própria, onde o sacrifício da cruz se perpetua pelos séculos, até que Cristo venha; mesa onde os filhos da Igreja se congregam para dar graças a Deus e receber o Corpo e o Sangue de Cristo”.

E continua, citando a Instrução Geral sobre o Missal Romano:

“Portanto, em todas as igrejas o altar é ‘o centro da ação de graças que se realiza pela Eucaristia’, para o qual, de algum modo, convergem todos os outros ritos da Igreja”.

E diz mais: “Por realçar que no altar se celebra o memorial do Senhor e se dá aos fiéis seu Corpo e Sangue, os escritores eclesiásticos foram levados a vê-lo como sinal do próprio Cristo – e daí tornar-se comum a afirmação: ‘O altar é Cristo’” (ibid., n.º 4).

HONRA DOS MÁRTIRES

O altar é a mesa do Senhor. Esta é a sua maior dignidade. Na antiguidade era costume dos cristãos erigir o altar sobre os restos mortais dos Mártires. E tinham consciência de que não são os corpos dos Mártires que honram o altar, mas o altar é que torna nobre o sepulcro dos Mártires. Por isso, para honrar seus corpos e dos outros Santos, e também para significar que o sacrifício da Cabeça se perpetua no sacrifício dos membros, hoje se recomenda erigir os altares sobre os sepulcros destes ou encerrar suas relíquias sob os mesmos.

Deste modo, como escreve Santo Ambrósio de Milão († 397), “entrem as vítimas vitoriosas no lugar em que Cristo é a Vítima. Mas, sobre o altar, aquele que morreu por todos; e, sob ele, os resgatados pela paixão de Cristo”.

Faz lembrar a visão do evangelista João, exilado na ilha de Patmos, registrada no livro do Apocalipse:

“Vi debaixo do altar, com vida, os que tinham sido degolados por causa da palavra de Deus e do testemunho que guardavam” (Ap 6,9).

E o atual Ritual da dedicação de altar explicita: “Na verdade, todos os Santos podem, com justiça, ser chamados testemunhas de Cristo. Contudo, o testemunho dado pelo sangue possui força espiritual, que somente as relíquias dos Mártires, colocadas sob o altar, expressam de modo total e íntegro” (ibid., n.º 5).

O CUIDADO DO ALTAR, UM DESAFIO...

O altar cristão é importante “memória” do verdadeiro altar, que é Cristo. Nele, todo cristão e cristã são também altares espirituais. Ele é, ao mesmo tempo, a mesa do sacrifício e do banquete pascal, sinal de Cristo e honra dos Mártires.

Então, resta-nos um desafio: como tratá-lo e como cuidar dele, de maneira que ele possa evocar, de verdade, o mistério de Cristo e da Igreja? O que fazer com o altar, de tal maneira que sua presença no espaço litúrgico realmente nos fale deste mistério? Numa próxima ocasião buscaremos responder a esta pergunta.

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por José Ariovaldo da Silva, ofm
Publicado no site Mundo e Missão

quinta-feira, 21 de outubro de 2010


O cuidado com a celebração

Pe. Carlos Gustavo Haas


Falar de criatividade é uma tarefa complexa e difícil. Afinal, até o Vaticano II, a liturgia viveu uma fase de 400 anos de “imobilismo”, onde nada podia mudar. E mudar, também não é fácil.

Apresento aqui alguns pontos que poderão ser aprofundados numa reflexão individual ou nas equipes de liturgia.

1. “Ser criativos” em uma celebração

Quando queremos “ser criativos” em uma celebração, nossa primeira preocupação deve ser a participação mais plena, ativa e frutuosa da assembleia. O grande motivo para “mudar” palavras, gestos, sinais e ritos não é o gosto da equipe de liturgia ou o que vimos em um show ou mesmo em uma missa transmitida pela TV, mas sim, a maior participação no culto a Deus, integrado em nossa vida atual.

Cito as palavras de Bento XVI na Exortação “Sacramentum Caritatis”, n. 38: “O primeiro modo de favorecer a participação do povo de Deus no rito sagrado é a condigna celebração do mesmo; a arte da celebração é a melhor condição para a participação ativa. A arte da celebração resulta da fiel obediência às normas litúrgicas na sua integridade, pois é precisamente esse modo de celebrar que, há dois mil anos, garante a vida de fé de todos os crentes, chamados a viver a celebração enquanto povo de Deus, ‘sacerdócio real , nação santa’” (cf. 1Pd 2,4-5.9).

2. Ser “criativo” é ser fiel

Temos então um segundo elemento: ser “criativo” é ser fiel. Ser criativo não significa “inventar”. Não podemos confundir “criatividade” com “criativismo” – fazer algo diferente apenas por fazer diferente. Gosto do que escreveu Bento XVI: “A liturgia, por sua natureza, possui uma tal variedade de níveis de comunicação que lhe permitem cativar o ser humano na sua totalidade. A simplicidade dos gestos e a sobriedade dos sinais, situados na ordem e nos momentos previstos, comunicam e cativam mais do que o artificialismo de adições inoportunas” (Sacramentum Caritatis, 40).

O povo logo percebe quando propomos algo que vem apenas de um gosto ou ideia pessoal, ou quando somos criativos a partir do rito, do momento celebrativo, do mistério que estamos vivenciando.

No Documento 43 da CNBB, Animação da Vida Litúrgica no Brasil, n. 170, lemos: “Por criatividade não se deve entender tirar como que do nada, expressões litúrgicas inéditas. Pelo contrário, a verdadeira criatividade é orgânica: está ligada aos ritos precedentes como o celebrante de hoje aos do passado”.

4 cuidados que devemos ter

1. O “ativismo”: fazer na celebração um “desfile” de vários elementos, símbolos, gestos, ritos, sem silêncio, com movimentos em excesso. É a tentação de querer fazer tudo em uma única celebração.

2. O “intelectualismo”: é quando queremos explicar tudo que acontece em uma celebração. A celebração torna-se “cerebração”, poluída com comentários e mais comentários.

3 .O “espontaneismo”: deixar tudo para última hora, improvisar os ritos e gestos, deixando que aconteça apenas com a boa-vontade dos participantes. A verdadeira espontaneidade não é inventar um gesto. Os gestos mais expressivos da nossa existência são aqueles que, desde a nossa infância, nós enchemos de experiência humana, como abraçar a mãe, juntar as mãos, todos os gestos da oração que, para nós foram o meio próprio de nos encontrarmos com Deus; é aí que nós somos mais espontâneos. A verdadeira espontaneidade consiste em encher de novidade um gesto de sempre, pois os gestos e as palavras das pessoas não podem ser inventados até ao infinito.

4. O “fixismo”: repetir sempre a mesma coisa, caindo no formalismo e na rotina. Acaba cansando a assembleia, pois se torna algo sem o espírito próprio para o qual foi criado.

Enfim, para sermos criativos na liturgia, precisamos levar a sério tudo o que fazemos. A simples modificação de um gesto, sinal, atitude, acarreta uma profunda alteração do significado de muitas ações litúrgicas.

Zelar pela liturgia não significa “engessá-la”. “Liturgia é uma ação ritual, cuja característica é a repetição e a fidelidade à Tradição: “Façam isto (e não outra coisa!) para celebrar a minha memória (…)”. Liturgia não se inventa, se vive. O jogador de futebol não muda as regras do jogo; a cantora não inventa uma nova música, ignorando ou modificando a partitura. Ambos exercem sua criatividade ao entrar de corpo e alma no jogo de futebol ou na música; e dessa entrega nasce uma interpretação sempre nova, atual, surpreendente, tocante. É desse tipo de zelo que a liturgia precisa: unindo conhecimento e respeito pelas regras com entrega total ao ‘jogo’, levando a uma vivência profunda” (Ione Buyst, Liturgia em Mutirão, Edições CNBB, pág. 222).

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Pe. Carlos Gustavo Haas é Presbítero da Arquidiocese de Porto Alegre/RS, Assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB, Mestre em Liturgia pelo Pontifício Instituto Litúrgico Santo Anselmo, Roma.

Fonte:
http://revistaparoquias.com.br/index.php/2010/02/o-cuidado-com-a-celebracao/

Ministérios a serviço do povo

Márcio Antônio de Almeida

Quem já não se flagrou fazendo constatações apressadas sobre o povo que participa das celebrações nas comunidades? Selecionamos alguns exemplos de frases que se ouvem em reuniões de equipes de liturgia ou mesmo em encontros formação: “o povo não vai entender”; “o povo não vai participar”; “o povo não canta”; “o povo chega em cima da hora”; “o povo não está nem aí”. Estas afirmações podem revelar uma “terceirização” de responsabilidades pastorais, uma carência formativa dos agentes e um desconhecimento da própria definição de Igreja, povo de Deus, e da natureza da liturgia trazida pelo Concílio do Vaticano II.

A liturgia é fonte e cume da ação da Igreja (cf. SC n. 10). Por meio dela, o povo convocado se reúne em assembleia e animado pelos ministérios litúrgicos, escuta a Palavra e partilha do mesmo pão, do mesmo cálice. Ao fazer memorial da Páscoa de Cristo, renova-se a Aliança de amor com o Deus da vida. É páscoa de Cristo na páscoa do povo e páscoa do povo na páscoa de Cristo (cf. CNBB, Doc. 43, n. 300). Esse povo que celebra, mesmo sem um conhecimento litúrgico mais elaborado, expressa a fé no Deus da vida por meio de gestos e ações simbólicas, rituais.

O que fazer?

Antes de afirmar que o povo não vai entender, cabe às equipes estarem convencidas sobre o sentido da ação simbólica a ser realizada. Vale lembrar que a participação consciente, ativa e plena do povo (cf. SC 14) está relacionada ao nível de iniciação litúrgica das equipes de celebração e à qualidade do exercício ministerial. Os ministérios, à imagem do Cristo servidor, cumprem sua função e a comunidade dos fiéis, o povo, expressa sua adesão ao mistério celebrado e seu compromisso com a Boa Nova do Reino.

Neste sentido, há alguns pequenos detalhes a serem observados pela equipe que prepara as celebrações. Por exemplo, equipes “ruidosas” no celebrar tendem a perturbar a participação do povo, pois a movimentação de pessoas, gestos, sinais ou qualquer imprevisto, podem desviar a atenção da assembleia. Por isso, a consciência dessa limitação, por parte da equipe, é urgente e necessária para um serviço qualificado ao povo de Deus. Lembremo-nos que os ministérios brotam do meio do povo e se espera, no mínimo, que a dignidade do serviço prestado corresponda às expectativas desse povo.

Como fazer?

Queremos silêncio? Silenciemos. Na medida certa e no momento devido, o silêncio é capaz de preencher-nos do sentido do mistério.

Queremos respostas claras do povo? Sejamos claros naquilo que oramos, cantamos, proclamamos etc. A liturgia é um fazer objetivo que atinge em profundidade os sujeitos celebrantes. Por isso, durante as motivações, evitem-se comentários e explicações sobre o óbvio. É necessário “limpar” o supérfluo para que o rito possa se expressar com clareza e simplicidade por meio de seus sinais sensíveis.

Queremos a voz e a vez do povo? Que tal nos empenhar na preparação das celebrações da comunidade levando em conta o mistério celebrado no tempo litúrgico, na vida da comunidade, as pessoas concretas e os ministérios litúrgicos?

Aos poucos se descobre o valor das equipes de acolhida. Convém, no conjunto das pastorais, buscar um modo mais integrado de colocar em ação este serviço ao povo. Há casos de equipes que se desdobram na acolhida, mas o animador, ou mesmo quem preside, não tem a sensibilidade devida para conduzir o processo de acolher. Toda a comunidade se acolhe mutuamente, transparecendo a alegria do Ressuscitado. Nas celebrações da comunidade, acolher é servir, é deixar à vontade, trazer para perto, conduzir, direcionar, amar…

A equipe de celebração e os ministros do povo de Deus devem estar convencidos de suas atribuições (cf. SC 28-28). O povo vai celebrar convicto, “antenado” e comprometido se perceber que nossas ações se revestem de sentido teológico-espiritual, que se alcança por meio de um processo equilibrado de formação litúrgica aliado à experiência celebrativa. Assim sendo, o processo de seduzir o povo, de estimulá-lo à participação, de encantá-lo ao redor do Mistério Pascal é um desafio significativo para que a liturgia seja, de fato, o hoje da salvação.

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Márcio Antônio de Almeida é Liturgista e Musicólogo. Agente de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo. Membro da Rede Celebra e da Equipe de Reflexão de Música Litúrgica da CNBB.

Fonte:
http://revistaparoquias.com.br/index.php/2010/09/ministerios-a-servico-do-povo/

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Benção pai! Benção mãe!


Cresci pedindo bênçãos para meus pais, tios e padrinhos. Até hoje mantenho este sadio costume, que sempre foi para mim algo maior do que uma obrigação cristã, tornando-se quase que um traço cultural enraizado profundamente na minha vida. Pedir a benção aos pais na hora da saída e chegada em casa era até pouco tempo atrás uma boa tradição do povo brasileiro. Mas ao longo da vida, lendo aqui e acolá os mais variados tipos de livros, encontrei-me com a literatura teológica e com a história do povo de Israel. Foi então que descobri que pedir bênçãos é uma das mais antigas formas de manifestar ao mundo que Deus está sempre ao nosso lado, ou em outra palavra, que nosso Deus é Emanuel! Pedir a bênção de Deus através dos mais velhos é um costume bíblico. O povo de Deus sempre pedia benção para seus pais ou padrinhos. Outra benção muito comum era aquela pedida para os líderes da comunidade. A liderança religiosa sempre abençoou o seu povo. A Bíblia nos instrui a pedir a bênção em todas as ocasiões, inclusive para santificar a nossa casa. Uma casa que recebe a benção de Deus terá muito mais fortaleza para enfrentar os desafios que porventura surgirem. Uma casa abençoada significa uma família também abençoada. A bênção de Deus anula toda marca da maldade.

Os livros bíblicos de Esdras ou Neemias nos dizem que a bênção é "a mão de Deus sobre nós." Ambos usam essa expressão cerca de nove vezes, falando da "boa", "bondosa" e "poderosa" mão de Deus. A expressão bênção ou abençoar também tem, entre outros, o significado de falar bem de alguém. No Antigo Testamento, em geral, a bênção refere-se a bem-estar, a segurança e ao bem familiar e essa bênção está expressamente condicionada à obediência aos mandamentos de Deus: "Eis que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando cumprirdes os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que hoje vos ordeno; a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes" (Dt 11.26-28).

Para o cristão a bênção é a presença de Jesus na nossa vida, levando-nos para perto de Deus pela ação do Espírito Santo: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual em Cristo" (Ef 1.3). A bênção nem sempre é o que desejamos, mas em todo caso se trata do que é bom e salutar para nós! A grande bênção de Deus para seus filhos é a Eucaristia. Quando o padre consagra pão e vinho, ele os abençoa e os faz ser verdadeiramente a presença real de Jesus Cristo entre nós. Não existe maior benção do que receber em nós o Cristo vivo e ressuscitado na forma eucarística.

A Igreja nos ensina a pedir uma benção para todas as ações que formos realizar: seja para sair em viagem, fechar um negócio, vender uma casa, antes de ir ao trabalho. Você deve pedir a bênção para os padres, para os pais e para todos aqueles com os quais você tem relação de amizade e carinho. Nada mais bonito do que o casal que se abençoa e abençoa os filhos.

Será que seus filhos não estão com tantas dificuldades e problemas pelo fato de você não os abençoar? Claro que a benção não vai impedir que nossa vida tenha desafios, mas abençoados certamente teremos mais possibilidades de enfrentar com paciência os problemas. É isso!


Padre Evaldo César de Souza, cssr

segunda-feira, 11 de outubro de 2010


Festa Litúrgica de Finados
2 de Novembro


Padre Evaldo César de Souza, C.Ss.R.

Enxugará as lágrimas de seus olhos e a morte já não existirá. Não haverá mais luto, nem pranto, nem dor, porque tudo isso já passou• (Ap 21,4).

Por que então a liturgia cristã interessou-se pelos mortos também fora da missa? Por que a Igreja dedicou um dia exclusivo à lembrança dos finados? Você acha válido rezar pelos falecidos? Como você se prepara para viver o momento de sua morte? Por que o ser humano preocupa-se tanto em marcar com sinais exteriores a morte de pessoas queridas?

1. História da Celebração

O Cristianismo nasceu embebido pela vida, morte e ressurreição de Jesus, chamado Cristo e subsiste pelo cultivo da memória deste homem. E como todo ser humano, o ápice da vida do filho de Deus foi sentir em sua carne a frieza da morte. Sem dúvida, ao doar amorosamente sua vida na cruz, Jesus viveu em sua própria carne a experiência da morte. Ele morreu realmente. Mas a Graça de Deus, confirmando a mensagem e o testemunho de vida de Jesus, o ressuscitou dos mortos e garantiu assim, a todos os fiéis que nele depositam suas esperanças, a possibilidade de transcender também a fase finita da vida e alcançar a plenitude da personalidade e potencialidades humanas, na realidade de fé que chamamos de Vida Eterna.

Desde a mais tenra idade o Cristianismo celebrou os fiéis que morreram unidos à sua comunidade de fé. Os mártires eram venerados nos locais de seu martírio e as primeiras construções genuinamente cristãs foram monumentos em homenagem a estes heróis da fé. Além disso, as perseguições imperiais obrigavam os cristãos a refugiarem em catacumbas para celebração dos exercícios litúrgicos. E as catacumbas nada mais eram que os primeiros cemitérios cristãos.

Os mais antigos sacramentários romanos atestam o uso de missas pelos defuntos. O costume de rezar pelos mortos em celebrações específicas parece ter surgido pelo fato de que não era possível realizar exéquias dos cristãos no momento da morte, tamanho o medo da perseguição pagã. Assim, dias depois do fato, geralmente uma semana ou mesmo trinta dias, a comunidade reunia-se para as devidas homenagens ao falecido e aos familiares.

Nos mosteiros irlandeses, no século VII, já encontramos rolos com os nomes de monges falecidos, que circulavam entre as comunidades, numa rústica forma de comunicação orante entre os religiosos. Para estes falecidos era sempre dedicado algum ofício religioso solene. Dessa tradição surgiram as necrologias, lista de nomes lidas nos ofícios e os obtuários, lembrando serviços fundados ou obras de misericórdia dos defuntos em suas datas. Passou-se claramente das menções globais aos nomes individuais.

Nos séculos IX e X, no auge do período carolíngio, já é possível encontrar o costume de anotar nomes de falecidos para oferecimento de missas, mas ainda mantém-se a vinculação com o nome de vivos, que faziam suas ofertas generosas para a comunidade cristã. Os “libri memoriales”•(Livros Memoriais) carolingianos continham de 15.000 a 40.000 nomes a serem lembrados. Durante as Eucaristias chegava-se a enumerar de 40 a 50 nomes por dia!

Mas foi em Cluny, o renomado Mosteiro francês, que começou a surgir uma explicação da oração pelos mortos. À Igreja Peregrina nos caminhos da história unia-se a Igreja Triunfante (os santos e santas) e à igreja Padecente (aqueles que mesmo mortos ainda não tinham alcançado a plenitude da Ressurreição). Esta união entre santos e pecadores, chamada de comunhão dos santos, já fazia parte da tradição cristã e foi teologicamente elaborada pelo mestre da escolástica, Santo Tomás de Aquino, nos seguintes termos:
Assim como no corpo natural a atividade de um membro se subordina ao bem estar de todo o corpo, também no corpo espiritual que é a Igreja, acontece o mesmo. E porque todos os fiéis são um só corpo, o bem de um comunica-se ao outro.

Tudo indica que foi no século X que, a partir do mosteiro do Cluny, instituiu-se a comemoração dos mortos para o dia 2 de novembro, em íntimo contato com a festa de todos os santos. A Festa dos Mortos será rapidamente celebrada em todo mundo cristão. Trata-se hoje de um dos feriados mais universais do nosso planeta.

2. Sentido da celebração de Finados

No dia de Finados, não festejamos a morte. Seria uma ignorância e uma contradição. Celebramos sim, nossa fé na ressurreição e a esperança do encontro na morada que Jesus nos preparou, no seio amoroso de Deus. A comemoração dos fiéis defuntos é uma oportunidade ímpar para agradecer a Deus pela existência daqueles que nos precederam e, de certa forma, participaram da construção de nossa própria história.

O gesto mais comum em Finados é a visita ao cemitério, a participação na Eucaristia e as devoções próprias de cada cultura, como acender velas, oferecer flores e enfeitar os túmulos dos falecidos. Em todos estes gestos antropologicamente enraizados no ser humano transparece a consciência que temos de nossa finitude e da necessidade absoluta de apego ao Divino para a manutenção da esperança em glorificação da existência.

Acendemos velas para lembrar que essa luz segue iluminando-nos, em nossos corações. Veneramos seus exemplos e imitamos sua fé (Hb 13,7). Enfeitamos as sepulturas com flores, símbolo da ressurreição. Nossos mortos são plantados como sementes, regadas com nossas lágrimas, e florescem ressuscitados no jardim do Senhor.

Além disso, ao recordar a vida de um ente querido, nós próprios deparamo-nos com a realidade da morte em nossa vida e pesamos nossos comportamentos pessoais e sociais. A presença da limitação e fraqueza da vida permite-nos ser mais humildes na consideração da validade de nossa vida. Não há como ficar insensível diante da finitude da carne humana!

3. Sentido Teológico de Finados: a certeza da Ressurreição

Nossa fé cristã é a fé no Ressuscitado. Esta certeza de fé elimina de nós toda e qualquer idéia de renascimento ou reencarnação. Somos únicos desde a concepção, durante a vida e após a morte. A razão de nossa fé na Ressurreição é a experiência radical de Jesus. Ele foi Ressuscitado pelo Pai (At 2, 22s), numa atitude amorosa que confirmou toda a obra realizada pelo homem de Nazaré em favor dos mais oprimidos e marginalizados.

O fundamento teológico para a nossa compreensão de fé em torno da vida que começa na morte está na Ressurreição de Jesus Cristo. É São Paulo que diz: "Se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria a nossa fé, e nós ainda estaríamos em nossos pecados" (1Cor 15, 17).

Nossa fé cristã é a fé no Ressuscitado. Esta certeza de fé elimina de nós toda e qualquer idéia de renascimento ou reencarnação. Somos únicos desde a concepção, durante a vida e após a morte. A razão de nossa fé na Ressurreição é a experiência radical de Jesus. Ele foi Ressuscitado pelo Pai (At 2, 22s), numa atitude amorosa que confirmou toda a obra realizada pelo homem de Nazaré em favor dos mais oprimidos e marginalizados.

O fundamento teológico para a nossa compreensão de fé em torno da vida que começa na morte está na Ressurreição de Jesus Cristo. É São Paulo que diz: "Se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria a nossa fé, e nós ainda estaríamos em nossos pecados" (1Cor 15, 17).

Nós cremos na ressurreição como um momento de transcendência de nossa realidade finita para uma realidade infinita ao lado de Deus. Na Ressurreição nossa vida é transformada. Assim como acontece com a semente que, ao ser lançada na terra, morre e desta morte nasce a nova vida, cremos que também nós vamos ressuscitar e assumir uma nova vida. Nós cremos que a nossa vida terrestre é uma preparação para a verdadeira e definitiva vida. Temos uma única oportunidade de viver no mundo e nos preparar para a eternidade.

O próprio Jesus viveu apenas uma única vida humana, iniciada no momento de sua concepção no seio virginal de Maria e consumada na cruz, quando exausto e sem forças, Jesus entrega sua vida nas mãos do Pai (Jo 19,30). Mas como já dissemos, Deus não permitiu ao Cristo permanecer preso nas cadeias da morte, mas o fez receber vida nova, ressuscitando-o e reafirmando assim o valor da vida justa sobre os poderes nefastos de uma sociedade marcada pela cultura de morte.

Mas Ele ressuscitou. O corpo físico de Jesus foi transformado em um corpo glorioso, que não ocupa mais espaço, não envelhece mais com o tempo e não morre mais. Este Cristo vivo e ressuscitado está na Eucaristia, está nos sacrários de nossas igrejas e está também na comunidade cristã, já que Ele disse: "Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei presente" (Mt 18,20) ou então: "Eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mt 28, 20). Nada pode nos separar do amor de Cristo.

Já teologia de oração pelos mortos alicerça-se na noção tradicional de purgatório, momento de expiação dos erros passados e de contemplação da face gloriosa de Deus. A teologia atual não aboliu, com se pensa, a noção de purgatório. Obviamente, a idéia de um fogo devorador que aflige atemporalmente os homens e mulheres que falecem afastados de Deus recebe hoje um tratamento mais aceitável. O purgatório seria a própria percepção de não realização da missão confiada por Deus a cada um de nós. Ao deparar-nos com a imensa distância entre o ideal sonhado por Deus e o real vivido, o ser humano sofre por ter sido tão leniente. Imediatamente, entretanto, contempla a glória de Deus e nela mergulha. Rezar pelos mortos significa ajudá-los a tomar consciência de que estão afastados do ideal de Deus.

4. Celebrando o dia de Finados

As celebrações litúrgicas do dia de hoje são comedidas e cercadas de um clima de saudade e tristeza. São comuns as missas rezadas nos cemitérios, onde um ou outro grupo pastoral pode estar presente para acolher as pessoas mais sensibilizadas.

Nas igrejas e capelas reze-se pelos fiéis defuntos que participaram da história da comunidade, mas evite-se enumerar nomes ou dar destaques a algum falecido. Mantenha a sobriedade dos cantos e respeite-se o silêncio com marca da celebração.

Entretanto, evite-se o clima de luto nas celebrações. Vale a pena recordar que o celebração de Finados marca a esperança cristã na Ressurreição e deve ser iluminada por aquela alegria que marca a fé cristã.

Para os celebrantes, atenção nas homilias. O Mistério da Ressurreição deve ser o centro da reflexão, aproveitando para refletir bem as palavras do Evangelho e esclarecendo o real sentido da morte para o cristão, numa catequese que contemple toda a eliminação de idéias estranhas tão espalhadas pela mentalidade do povo católico brasileiro.

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Fonte:
www.redemptor.com.br