segunda-feira, 20 de dezembro de 2010


Olá meus amigos e amigas!

Quero agradecer a todos vocês que tem feito de meu blog um sucesso e, principalmente aproveitado um pouco de minha pequena colaboração para nossa caminhada de fé. Ao longo desses 3 anos que o blog está no ar, foram quase 5.000 (cinco mil) visitas, de diversas partes do mundo como:

Brasil
Estados Unidos
Canadá
Reino Unido
Japão
Itália
Índia
Moçambique
Cabo Verde
Paraguai
Portugal
Polônia
Argentina
Alemanha
Russia
Croácia
Colômbia
Ucrânia
Timor-Leste
México e
Israel
Peru
Angola
Irlanda
Cingapura...

Que neste Natal o Menino Jesus venha morar no coração de cada um de vocês e, que em 2011 tudos os seus sonhos se realizem. Que vocês tenham muita paz, harmonia e felicidade.

Obrigado e continuamos nossa caminhada.


Pe. Cristiano Marmelo Pinto
São Bernardo do Campo, Brasil, Dezembro de 2010.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010


MISSA EM AÇÃO DE GRAÇAS PELO
8º ANO DE ORDENAÇÃO PRESBITERAL DE
Padres Alex, Cristiano, Joel e Orlando


SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO


Queridos irmãos e companheiros
Padres Alex, Joel e Orlando, que nos recebe hoje em sua comunidade,
Queridas comunidades aqui reunidas,
Paróquia Nossa Senhora da Candelária – São Caetano do Sul,
Paróquia Nossa Senhora de Fátima – Santo André,
Paróquia Menino Jesus – São Bernardo do Campo,
Paróquia Santa Luzia – São Bernardo do Campo,
Demais Paróquias aqui presente, celebrando conosco este momento festivo,
Queridos amigos e amigas...

“Faça-se em mim segundo a tua Palavra!”
Este foi o lema da nossa ordenação.
Dentro deste contexto de ação de graças
Pelos oito anos de ordenação presbiteral,
Este versículo tem um significado muito profundo.
Assim como Maria,
Somos chamados a depositar em Deus a nossa confiança,
E deixar que Ele faça em nós sua vontade,
Realize seu projeto.
Com seu sim, Maria abriu-se para a proposta de Deus,
Assumindo a missão de gerar seu Filho, o Salvador.

Mas, o aspecto que gostaria de expor em nossa reflexão,
É a prontidão de Maria em servir.
Ao gerar o Filho de Deus, Maria é inserida no plano redentor de Deus,
E passa a ter um papel fundamental na obra da salvação.
O seu sim foi permanente...
Foi mantido até o fim... até o alto do Calvário.
Maria nos ensina que fazer parte do projeto de Deus de nos salvar
É colocar-se a serviço.
Ao sermos chamados e escolhidos para o sacerdócio ministerial,
Assim como Maria foi escolhida para ser a Mãe de Jesus Cristo,
E colocou-se a serviço,
Somos também chamados a colocar-nos a serviço do povo de Deus,
Mantendo nosso sim até o fim.

“Não tenhas medo, Maria!”
Disse o anjo a Maria, que estava perturbada com a saudação do anjo.
Diante da missão recebida de Deus, Maria é convidada a não ter medo.
A obra é de Deus! É ele quem escolhe e chama!
Deus não chama por acaso.
“Encontraste graça diante de Deus.”
Se fomos chamados por Deus para a missão presbiteral,
Certamente é porque encontramos “graça diante de Deus.”
Por isso não podemos ter medo.
Ele caminha conosco, vai a nossa frente e, nos fortalece diante dos desafios.

Queridos Alex, Joel e Orlando,
Alguns duvidaram de nossa vocação, do chamado que Deus nos fez.
Mas, hoje celebramos a confirmação de que nossa vocação é verdadeira.
“Encontramos graça diante de Deus!”
E os frutos deste ministério podem ser conferidos
Em nossas comunidades paroquiais, por onde passamos...

Porém, não podemos nunca esquecer
Da atitude humilde de Maria diante de Deus.
A obra não é nossa! É de Deus!
Corremos sempre o risco da auto-suficiência.
O que geralmente resulta em desastre em nossa missão.

O pecado de Adão e Eva foi o da auto-suficiência.
A serpente é símbolo da auto-suficiência.
E a auto-suficiência pode destruir nosso ministério.
Devemos repetir sempre o lema de nossa ordenação:
“Faça-se em mim segundo a tua Palavra!”
E evitar de fazermos a nossa vontade.
Devemos deixar que Deus oriente sempre nosso ministério.
Nunca pensar que podemos fazer o que queremos.

A auto-suficiência expõe a nossa nudez.
Expõe a nudez humana... nossas fragilidades... nosso egoísmo...
No relato do Gênesis, o homem se viu nu,
Isto porque se achou auto-suficiente.
Tanto o homem-Adão como a mulher-Eva,
Não assumiram a responsabilidade de seus atos,
E jogaram a culpa na serpente.
Não podemos nunca nos esconder atrás de afirmações como:
“Fazer o que? Sou assim mesmo!”
Somos responsáveis por nossos atos.
Mas, nossos atos só se tornarão responsáveis,
Se deixarmos que Deus nos conduza na missão.
Assim como Maria, “faça-se em mim segundo a tua Palavra!”

Adão sentiu medo, assim como Maria.
A diferença está na confiança em Deus.
Maria confiou e pode se entregar de corpo e alma.
Adão se escondeu para não ser visto.
Sentir medo é algo natural.
Mas quando nos escondemos,
É sinal de que agimos por conta própria,
E esquecemos de que Deus é quem nos deve conduzir.

Maria é o tipo de discípulo que Deus procura
Para construir uma nova sociedade,
Para construir seu Reino entre nós.
Nela, encontramos as duas atitudes fundamentais
Para quem está disposto a deixar tudo
E se comprometer com a construção do Reino de Deus:
A fé confiante em Deus e o serviço ao seu projeto.

Quando nos entregamos com fé confiante e disposição para servir,
Entoamos um hino de louvor e ação de graças a Deus
Pelas suas obras realizadas em nosso meio.
O texto da Carta de São Paulo aos Efésios deixa claro isto:
Deus nos abençoou (v.3); nos escolheu (v. 4);
Nos predestinou (v. 5); derramou sua graça (v. 6);
Transbordou sua graça em nós (v. 8)
E deu-nos conhecer o mistério de sua vontade (v. 9).
Paulo mostra quer Deus conduz tudo, conforme sua vontade.
E nós, somos predestinados a colocar Nele nossa esperança.

Portanto, queridos irmãos,
Celebrando hoje mais um ano de ordenação presbiteral,
Reafirmemos nossa confiança nas mãos de Deus que tudo conduz,
E que nos escolheu como colaboradores de sua obra.
E peçamos que nos afaste do perigo da auto-suficiência,
Para sermos fiéis ao seu chamado,
E servidores de seu povo.
Que Maria, a Imaculada, caminhe conosco,
Nos ensinando com sua vida e atitude
A sermos discípulos de Jesus Cristo,
Para que todos, tenham nele, vida em abundância.


Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.
Para sempre seja louvado.



Pe. Cristiano Marmelo Pinto
A.D. 2010, 7 de dezembro.

terça-feira, 16 de novembro de 2010


A melhor catequese: uma liturgia bem celebrada
Elementos para reflexão pessoal e em grupos



Frei José Ariovaldo da Silva, OFM


Sendo a liturgia uma preciosa “fonte da Catequese”, um “lugar privilegiado de educação da fé”, como proclama o Diretório Nacional de Catequese” , ou ainda, sendo ela “a santa mistagogia permanente da Igreja”, como a define o teólogo liturgista Tommaso Federici , isso deve aparecer na própria maneira como é celebrada. Caso contrário, é como se os canais ficassem entupidos e a fonte estagnada. A beleza encantadora e contagiante do mistério escondido nos ritos e nos símbolos deve poder expressar-se com toda a sua pujança, naturalmente educadora, na maneira como os ritos e símbolos são trabalhados .

A harmonia dos ritos, das vestes litúrgicas, da decoração e do espaço litúrgico, tudo isso educa para o sentido do mistério e sua repercussão para a vida concreta. Igualmente importante “é a atenção a todas as formas de linguagem previstas pela liturgia: palavra e canto, gestos e silêncios, movimento do corpo, cores litúrgicas dos paramentos. Com efeito, a liturgia, por sua natureza, possui tal variedade de níveis de comunicação que lhe permitem cativar o ser humano na sua totalidade” .

O Diretório Nacional de Catequese fala da necessidade de “liturgias vivas e dinâmicas” : Vivas, porque expressam a vida de Jesus mergulhada nos acontecimentos de nossa vida, e vice-versa; dinâmicas, porque celebradas na força (dynamis) do Espírito, isto é, com espiritualidade.

Espaço litúrgico

O próprio espaço litúrgico , quando, pela beleza de sua forma arquitetônica, pela harmonia de sua disposição interna (altar, mesa da Palavra, espaço da assembléia, cadeira da presidência, fonte batismal etc.) e sua iconografia, tudo em “nobre simplicidade” (cf. SC 34), quando assim se cria o ambiente próprio para os fiéis se sentirem de fato “igreja”, assembléia celebrante, pedras vivas do templo (cf. 1Pd 2,5), e poderem participar ativamente da celebração dos mistérios da fé, especialmente a Eucaristia, então o espaço goza de significativa força catequética: o espaço educa a uma fé que se traduz em espiritualidade comunitária. Para tanto, como orientam as Diretrizes Gerais para a ação Evangelizadora no Brasil (2008-1010), da CNBB, “o espaço (litúrgico) deve ser funcional, favorecer o encontro entre as pessoas e o encontro com Deus, e ser sinal do mistério que ali se celebra”. Sua arte, arquitetura, disposição e ornamentação a serviço da liturgia “contribuem para que a Igreja celebre e se manifeste como povo sacerdotal, ministerial, congregado e convocado pelo Senhor Jesus. A beleza, a dignidade e simplicidade do espaço devem estar em sintonia com a beleza do Mistério pascal de Cristo” . Se há um “lugar” profundamente modelador de todo um imaginário, uma identidade, uma interioridade e postura cristãs de uma comunidade é o espaço em que ela freqüenta. Dependendo do espaço litúrgico, assim vai ser em grande parte a fé e espiritualidade da comunidade: mais ou menos comprometida com o projeto de Deus, mais ou menos alienada dele; mais ou menos unida neste projeto, mais ou menos dividida por interesses egoístas.

Música litúrgica

O mesmo vale para o canto e música, criteriosamente escolhidos, correspondendo ao sentido do mistério celebrado, às várias partes do rito e aos diferentes tempos litúrgicos . Como parte integrante e significativa da ação ritual, “ela tem a especial capacidade de atingir os corações e, como rito, grande eficácia pedagógica para levá-los a penetrar no mistério celebrado. Para isso, ela precisa estar intimamente vinculada ao rito, ou seja, ao momento celebrativo e ao tempo litúrgico. Vale dizer, sua função ritual deve estar organicamente inserida no contexto da grande tradição bíblico-litúrgica da Igreja, bem como da vida e da cultura da comunidade celebrante” . Assim, expressando em vibrações sonoras o mistério que a liturgia celebra, a música verdadeiramente litúrgica leva o coração da comunidade a bater no compasso do coração amoroso de Deus e, assim, faz com que todos(as) se juntem e se unam no grande mutirão cristão em favor da verdade e da vida, da santidade e da graça, do amor e da paz .

Proclamação da Palavra de Deus

A proclamação da Palavra de Deus na liturgia , quando feita por leitores bem preparados e com a consciência de que, “quando na igreja se lê a Sagrada Escritura, é o próprio Deus que fala ao seu povo, é Cristo presente na sua palavra que anuncia o seu Evangelho” , tal proclamação tem um imenso poder educativo da fé, pois faz com que a assembléia, ao ouvir a Palavra, viva uma profunda experiência do mistério de Deus. A maneira de proclamar a Palavra é o que mais move e convence. Como ensina a Igreja: “O que mais contribui para uma adequada comunicação da palavra de Deus à assembléia por meio das leituras é a própria maneira de proclamar dos leitores, que devem fazê-lo em voz alta e clara, tendo conhecimento do que lêem” . Por quê? Porque, assim, fazemos a experiência de ouvir não mais um texto apenas, mas Alguém em pessoa, um Amigo que nos fala, nos confia seu segredo .

Homilia

O mesmo vale, com certeza, para a homilia como parte integrante a liturgia . Na homilia, sobretudo na maneira espiritual e orante com que é proferida, explicando a palavra de Deus e atualizando-a para o nosso agora (na celebração e na vida), o povo tem o direito e dever de sentir a voz do próprio Deus ecoando em seus ouvidos e corações. Por isso, Bento XVI faz este apelo aos homiliastas: “de modo particular, peço aos ministros para fazerem com que a homilia coloque a Palavra de Deus proclamada em estreita relação com a celebração sacramental e com a vida da comunidade, de tal modo que a Palavra de Deus seja realmente apoio e vida da Igreja. Tenha-se presente, portanto, a finalidade catequética e exortativa da homilia” . “Finalidade catequética e exortativa”, entendido no contexto da função catequética da própria liturgia enquanto celebração. Pois a homilia é uma ação litúrgica, uma forma de celebrar a liturgia.

Gestos, símbolos, ações simbólicas

Todos os gestos, símbolos e ações simbólicas na celebração litúrgica quando ‘trabalhados’ e realizados conscientemente, com autenticidade, de forma verdadeira, com amor, com espiritualidade e bom gosto , gozam de alto poder comunicativo com o mistério celebrado e, por isso mesmo, contribuem para uma viva experiência do mistério: educam a fé. Assim, cada gesto, cada movimento, cada ação, tudo pode contribuir para a educação e crescimento na fé. Da boa ou má qualidade das celebrações litúrgicas depende em grande parte a boa ou má qualidade da vivência da fé cristã.

Presidência litúrgica

Enfim, uma das mais significativas forças mistagógicas da arte de celebrar pode residir no exercício da presidência da liturgia, sobretudo a Eucaristia . Presidir a liturgia significa estar diante da assembléia como sinal, ou, como dizem nossos irmãos orientais, como “ícone” do Cristo bom Pastor. Bom Pastor que congrega e une a todos num só corpo em torno da mesa da Palavra e da Eucaristia; bom Pastor que comunica não “palavras” mas a Palavra (Cristo vivo): proclamando o Evangelho, distribuindo o Pão da vida; bom Pastor que, unido à assembléia e em nome dela se comunica com o Pai na comunhão do Espírito: louvando, agradecendo, intercedendo, ofertando. Valendo também para os demais sacramentos e sacramentais, isso aparece quando a presidência é exercida de maneira simples, serena e alegre (mas sem espalhafatos), de maneira convicta e orante (mas sem ser piegas), de forma verdadeira. No modo de o(a) presidente proclamar o Evangelho e fazer a homilia (como quem, de fato, anuncia uma boa notícia); no modo de distribuir o Pão da vida (como quem, de fato, junto também se entrega à pessoa que recebe); no modo de proclamar as orações (como quem, de fato, se dirige a Deus em nome de todos); no modo de saudar a assembléia (como quem de fato faz a ponte entre Deus e seu povo); no modo de impor as mãos, ungir, abençoar, derramar água etc. (como quem de fato se coloca como instrumento de Deus), a assembléia pode experimentar uma profunda comunhão com o mistério pascal e, assim, ter a chance de crescer enormemente na fé. O tom de voz, o olhar, o jeito de andar, a postura do corpo, os gestos das mãos e dos braços – ao se dirigir à assembléia e ao se dirigir a Deus -, podem expressar bem a qualidade espiritual e a força catequética da arte de presidir a liturgia. O formalismo frio, a rotina cansativa, a autoritarismo opressor e, no outro extremo, o estilo show man, prestam um triste desserviço à educação da fé pelo rito, pois bloqueiam ou desviam nossa atenção do essencial, que é a presença do mistério de Cristo.

Concluindo

Para terminar, podemos dizer: Não é à toa que Bento XVI, fazendo-se porta-voz do Sínodo sobre a Eucaristia, afirma categoricamente que “a melhor catequese sobre a Eucaristia é a própria Eucaristia bem celebrada”; o que vale, com certeza, também para os outros sacramentos e toda a vida litúrgica. Se assim se proceder nas nossas comunidades eclesiais, então a liturgia contribuirá enormemente para a formação da personalidade cristã e, consequentemente, para a construção de uma sociedade justa e fraterna.

Enfim, vão aqui algumas perguntas para reflexão pessoal e em grupos: O que é uma liturgia bem celebrada? Em que sentido uma liturgia bem celebrada é a melhor catequese? As celebrações litúrgicas de sua comunidade contribuem eficazmente para a educação da fé? Se sim, por quê? Se não, por quê? O que está precisado melhorar nas celebrações litúrgicas de sua comunidade para serem de fato lugar privilegiado de educação da fé? Por quê?


______________________
Cf. CNBB. Diretório Nacional de Catequese (= Documentos da CNBB 84). São Paulo, Paulinas, 2006, n. 115-122, p. 109-116,
FEDERICI Tommaso. La santa mistagogia permanente de la Iglesia. In: Phase, Barcelona, n. 193, 1993, p. 9-34.
Cf. BENTO XVI. Instrução pós-sinodal “Sacramentum Catitatis” (= A Voz do Papa 190). São Paulo, Paulinas, 2007, n. 38-65, p. 64-65; ALDAZÁBAL José. Gestos e símbolos. São Paulo, Loyola, 2005; PARÉS Xavier. Ars celebrandi. La mejor catequesis, una buena celebración. In: Phase, Barcelona, n. 274, 2006, p. 411-418; BIANCHI Enzo. Ars celebrandi. L’eucaristia, fonte di spiritualità del presbítero. In: La Rivista del clero italiano n. 5, 2007, p. 325-339. Resumo: In: La Maison-Dieu, Paris, n. 253, 2008/1, p. 116-117.
BENTO XVI. Instrução pós-sinodal “Sacramentum Caritatis”, n. 40.
Diretório Nacional de Catequese, n. 302c.
Cf. BENTO XVI. Instrução pós-sinodal “Sacramentum Caritatis”, n. 41.; SILVA José Ariovaldo da. Os elementos fundamentais do espaço litúrgico para a celebração da missa: sentido teológico; orientações pastorais (= Celebrar a fé e a vida, 9). São Paulo: Paulus, 2006; Cf. ALDAZÁBAL José. El espacio de la iglesia y su pedagogia mistagógica. In: Phase, Barcelona, n. 193, 1993, p. 53-68; ID. O edifício da Igreja. In: Gestos e símbolos. Op. cit., p. 283-290; CARPANEDO Penha. Mistagogia do espaço litúrgico. In: Revista de Liturgia, São Paulo, n. 205, 2008, p. 4-7.
CNBB. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2008-2010) (= Documentos da CNBB 87). São Paulo, Paulinas, 2008, n. 77, p. 66. Daí resulta ser de fundamental importância “dar especial atenção à formação na área da arte sacra e do espaço litúrgico, tanto nos seminários quanto entre os profissionais das artes e construção civil, para que os espaços correspondam à dimensão simbólica e funcional da liturgia. É urgente, também, nos regionais e nas dioceses a implementação das comissões de espaço litúrgico, compostas, preferencialmente, por especialistas nas diferentes áreas (artistas, arquitetos, engenheiros, liturgistas)” (ibid.).
Cf. BENTO XVI. Instrução pós-sinodal “Sacramentum Caritatis”, n. 42; FONSECA Joaquim (Org.). Princípios teológicos, litúrgicos, pastorais e estéticos. In: Revista de Liturgia, São Paulo, n. 194, p. 21-23.
CNBB. Diretrizes... Op. cit., n. 76. Daí ser “urgente atentar para a qualidade de nosso cantar litúrgico, para a importância dos vários ministérios litúrgico-musicais e, mais que urgente, para a formação e capacitação de todos, especialmente das pessoas e equipes que os exercem” (ibid.).
Cf. Prefácio da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.
Cf. DEISS Lucien. A Palavra de Deus celebrada. Petrópolis, Vozes, 1998; FERNANDES Veronice. O diálogo entre os parceiros da Aliança. A palavra de Deus a partir da Sacrosanctum Concilium. In: Revista de Liturgia, São Paulo, n. 179, 2003, p. 4-9; GONZÁLEZ GOUGIL Ramiro. La proclamación litúrgica de la Escritura. Sus principios teológicos. In: Phase, Barcelona, 2008/2, p. 125-142.
Cf. BENTO XVI. Instrução pós-sinodal “Sacramentum Caritatis”, n. 45, citando Instrução Geral sobre o Missal Romano, n. 29.
Introdução Geral ao Elenco das Leituras da Missa (Lecionário), n. 14.
Cf. COFFY Robert. La celebración, lugar de la educación de la fe. In: Phase, Barcelona, n. 118, 1980, p. 273-274.
Cf. DEISS Lucien. A homilia. In: A Palavra de Deus celebrada. Op. cit., p. 75-108; BECKHÄUSER Alberto. A homilia á luz da Sagrada Liturgia. In: HACKMANN Pe. Geraldo L. B. (Org.). Sub umbris fideliter. Festschrift em homenagem a Frei Boaventura Kloppenburg. Porto Alegre, EDIPUCRS, 1999, p. 11-39; SILVA José A. Sentir Deus falando. Um direito do povo, um desafio para o homiliasta. In: Mundo e Missão, São Paulo, n. 83, 2004, p. 34-35; ALDAZÁBAL Jose. La homilia, educadora de la fe. In: Phase, Barcelona, n.126, 1981, p. 447-459.
BENTO XVI. Instrução pós-sinodal “Sacramentum Caritatis”, n. 46.
Como: acolher quem chega, reunir-se em assembléia, andar, caminhar em procissão, dirigir-se ao altar, voltar-se à assembléia, tocar um instrumento (violão, teclado, órgão, acordeão, violino, atabaque etc.), olhar, saudar a assembléia, cantar salmos e cânticos espirituais, proclamar uma leitura, proclamar uma oração, ouvir, falar, silenciar, abençoar, ungir, impor as mãos, abençoar, mergulhar na água, derramar água, o gesto de “tocar”, lavar as mãos, lavar os pés, acolher as ofertas, dar o abraço da paz, partir o pão da vida, distribuir a comunhão, receber a comunhão na mão, comer e beber juntos, o beijo, o sinal-da-cruz, a linguagem das mãos, os gestos de humildade (bater no peito, inclinações, genuflexão, rezar de joelhos, prostração, o gesto e a atitude interior), o óleo, a água, a luz, as vestes, as imagens, as cores, as flores, o fogo, o incenso, a água, as cinzas, o jejum, os sinos, o pão e vinho na Eucaristia, a água e o vinho no cálice, as posturas do corpo etc....
ALDAZÁBAL José. Elogio da estética. In: Gestos e símbolos. Op. cit., p. 292-300.
Cf. SMOLARSKI Dennis C. Como no decir la misa (= Dossiers CPL 41), Centre de Pastoral Litúrgica, Barcelona 1989; SORRENTINO Antonio. Las oraciones presidenciales. In: Actualidad Litúrgica, México, n. 148, 1999, p. 7-11; ID. L’arte de presiedere le celebrazioni liturgiche. Suggerimenti ai sacerdoti, San Paolo, Cinisello Balsamo (Milão) 1997; BECKHÄUSER Alberto. Comunicação litúrgica. Presidência, homilia, meios eletrônicos. Petrópolis, Vozes, 2003; ALDAZÁBAL José. A postura e os gestos do presidente. In. Gestos e símbolos. Op. cit., p. 279-82; DE PEDRO Aquilino de. El arte de presidir y animar la celebración In: Phase 172 (1989), p. 317-320; INIESTA Alberto. El arte de presidir la asamblea. In: VV.AA., Presidir la Eucaristia (= Cuadernos Phase 19), Barcelona, Centre de Pastoral Litúrgica, 1990, p. 57-74; BUYST Ione. Presidir a celebração do dia do Senhor (Coleção Rede Celebra 6). São Paulo, Paulinas, 2004, p. 11-32;
Nas saudações, na proclamação da Palavra, na homilia, na distribuição da comunhão, nas monições etc.
Nas orações, sobretudo na oração eucarística e outras orações de bênção.
BENTO XVI. Instrução pós-sinodal “Sacramentum Caritatis”, n. 64.
ALDAZÁBAL José. La liturgia construye la persoalidad cristiana. In: Phase, Barcelona, n. 209, 199, p. 411-417.
Eurivaldo Silva Ferreira*


Ao participarmos da dinâmica do Ano Litúrgico, nos colocamos numa atitude de devida reverência com o mistério pascal de Cristo. Este mistério pode ser vivido ao longo do próprio Ano Litúrgico, com suas festas e seus tempos, suas celebrações, seus cantos e suas orações.

Um pequeno gesto ou rito nos introduz nesse mistério, no qual o Espírito é o grande ‘despertador’ da ação que o próprio mistério propõe a fazer em nós. Esta ação, própria do Espírito, provoca em nós uma abertura à força sacramental, força que o próprio tempo ou Ano Litúrgico traz em si. Conduzir-se a isso é propor nossas vidas ao que o mistério quer realizar em nós: fazer-nos seres de esperança, em atitude à vinda do Reino de Deus, Reino este que pode ser já vivido no Hoje da nossa história. O Tempo do Advento tem essa característica, é um tempo em que nos colocamos em atitude de alegre e piedosa expectativa pela vinda do Reino entre nós. Foi assim que viveram os personagens bíblicos, dentre eles Zacarias, Maria, João Batista, Simeão e o próprio Jesus Cristo, protagonista do Reino de Deus.

Ao desenvolver meu trabalho de conclusão de curso de Teologia na Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção/PUC-SP, decorri sobre o Tempo do Advento. Com este trabalho não tive o intuito de dar a receita certa para a equalização da realização deste Reino entre nós, do qual falei na introdução deste artigo, mas visa mostrar através dos sinais que são próprios do Tempo do Advento, que, com seu sentido próprio, a música litúrgica, o cântico de Zacarias e outros elementos podem contribuir para se viver o Tempo do Advento e dele tirar proveito espiritual para as nossas vidas e atitudes cristãs, fazendo com que essas atitudes se revertam em exercício para a convivência com o mundo cada vez mais sem esperança e impedido de dar continuidade à realização da vontade de Deus.

O Tempo do Advento, apresentado no início do ano litúrgico, relaciona-se com a proposta da Igreja que se faz presente no mundo. Ela anseia pela vinda do Senhor, mas enquanto sua vinda não se faz plenamente, celebra, louva e distribui os sacramentos, na esperança de sua plena concretização. Por isso este tempo, em preparação ao Natal do Senhor, suscita o desejo de que o Senhor venha. Tanto no Tempo do Advento como no Natal, dá-se a realização plena do mistério pascal de Cristo, tudo pela ótica do seu nascimento e de sua concepção terrena. Eis o sinal sacramental próprio do tempo.

No trabalho também avaliei a proposta da música litúrgica própria to tempo, tendo como subsídio o Canto de Zacarias, que considero como protótipo de música ritual, já que seu texto bíblico canta a espera e a presença do Senhor. Parti do ponto de vista do que a Igreja diz sobre a música litúrgica, também chamada de música ritual (aquela que é o rito ou que acompanha o rito litúrgico). Busquei nas fontes primitivo-cristãs uma análise criteriosa, apoiando-a na Sagrada Escritura e na Tradição. Tomando como referência o próprio Cântico de Zacarias, abordei seu sentido bíblico, destacando elementos exegéticos e de caráter da sua concepção, a fim de que este se torne um canto ritual modelo para outros.

Também me ative na análise do conjunto das leituras das celebrações dos quatro domingos do Tempo do Advento, extraindo delas seu conteúdo pedagógico e de esperança que ajuda as comunidades cristãs a renovar seu fervor missionário de anunciadores do reino messiânico, cujo ápice se mostra com seu natal.

Apresentei como proposta atributos de busca de uma espiritualidade própria do Tempo do Advento, que podem levar os cristãos a vivenciarem melhor esse tempo com sinais de que suas certezas não são em vão, e de que o Reino de Deus, ainda que demore, pode ser uma realidade do hoje, vivendo-se a tensão do “já” e do “ainda não”, como afirma São Bernardo. As atitudes de expectativa, de espera e de esperança da firme concretização do Reino de Deus são índoles da própria Igreja, como já disse, que vive neste mundo sob o influxo do domínio do mal, mas que ‘geme e sofre como que em dores do parto’, esperando a segunda vinda daquele que um dia veio na carne humana, ocasião em que se dará a feliz realização do reino.

Portanto, viver o Advento é viver com uma alegre espera, na feliz expectativa da realização do Reino de Deus entre nós. Mas essa espera é revestida de uma esperança escatológica (escathom, do grego = fim último), em meio a tribulações e sofrimentos, assim como viveu o “Filho do Homem” (Lc 21,27), e que se torna sinal de esperança, sinal de que a salvação de Deus prometida desde a Primeira Aliança (AT) está inserida na história humana, conforme a profecia de Daniel que fala da instauração do Reino de Deus, com a vinda de Jesus.

No Tempo do Advento, nossa atitude é de termos a cabeça erguida, de estarmos despertos e acordados, como diz São Paulo na Carta aos Romanos, a fim de que percebamos no decorrer da história os sinais de libertação, sobretudo nos acontecimentos históricos, cujas imagens simbólicas próprias do tempo nos ajudam a compreender como é que se deu no passado, trazendo para o ‘hoje’, tendo como atitudes os princípios da vigilância e da oração, conseqüência da santidade (frutos próprios do tempo). Essas atitudes preparam o coração para a grande vinda, a escatológica (última vinda), e nos conforta sua presença misteriosa através da ação litúrgica (memória da primeira vinda) e através dos pequenos gestos realizados em prol do/a outro/a (vinda intermediária de Cristo), mas que com o auxílio de Deus, isso é possível.

A segunda vinda de Cristo nos concede os bens prometidos na plenitude. Essa salvação é concedida a todas as pessoas, ao mundo, ao cosmos, por isso homem/a mulher são os responsáveis por acolherem a salvação, primeiro ‘abrindo o coração’, ‘aplainando os caminhos’, ‘abaixando as montanhas’. As leituras deste tempo mostram isso, a alegria do povo que se volta, que espera, que permanece fiel, na expectativa da vinda do Messias.

Por isso, posso dizer que celebrar no Tempo do Advento é manifestar no rito e na vida um momento novo para a humanidade nova, para o mundo novo. De fato, a Igreja diz que é necessário se viver num eterno advento, afastando o mal, pois Deus age como um agricultor que recolhe os grãos no celeiro, ou como um lenhador, que coloca o machado ao toco, pronto para cumprir sua missão.

Maria, a imagem da Igreja é a portadora da Arca da Aliança, no seu ventre, sinal da salvação, por isso se entrega totalmente ao projeto de salvação de Deus. Os personagens deste tempo nos ajudam a compreender como é que Deus age em prol da humanidade a fim de salvá-la, guardando-a do mal, mostrando a todos o verdadeiro Sol do Oriente, que ilumina todos os povos que andam por entre as trevas, conforme canta Zacarias.




___________
*É teólogo, formado pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção/PUC-SP, músico e atua na Rede Celebra de animação litúrgica.

http://euriferreira.blogspot.com/

terça-feira, 9 de novembro de 2010

DIGA NÃO AO PRECONCEITO









segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Eu recomendo...

Olá pessoal. Segue abaixo uma lista de sites e blogs interessantes para quem ama a liturgia. Vale a pena conferir. Abraços e Paz para todos e todas.


http://arquiteturaeliturgia.blogspot.com/
(Blog interessante sobre arquitetura, liturgia e arte sacra. Vale a pena conferir)

http://euriferreira.blogspot.com/
(Blog de um grande amigo Eurivaldo S. Ferreira, músico, compositor, teólogo e membro da Rede Celebra - rede de animação litúrgica)

http://liturgiasal.blogspot.com/
(Blog do Serginho Valle. Traz dicas muito úteis sobre liturgia)

http://www.sacramentos.org/
(Site em espanhol com bastante material sobre os sacramentos em geral. Muito bom.)

http://www.liturgia.it/
(Excelente site em italiano sobre liturgia. Muita coisa boa se encontra lá.)

http://www.sdplviseu.web.pt/
(Site de portugal, do Secretariado Diocesano de Pastoral Litúrgica de Viseu. Excelente!)

http://www.liturgiaporamor.com.br/
(Mais na linha da Rede Celebra, traz material interessante Ofício Divino das Comunidades, Canto Litúrgico, Espaço Litúrgico e muito mais...)

Sentido Teológico-litúrgico do Altar Cristão



CRISTO É O ALTAR VERDADEIRO

Sabemos que os primeiros escritores cristãos, chamados Padres da Igreja, depois de terem lido, ouvido e meditado profundamente a Palavra de Deus, não tiveram nenhuma dúvida em afirmar que Cristo é a vítima, o sacerdote, o altar de seu sacrifício. Aliás, já a própria Palavra de Deus nos apresenta Cristo como o Cordeiro imolado (Ap 5,6), o Sacerdote supremo, o Altar vivo do Templo celeste (cf. Hb 4,14; 13,10). Portanto, Cristo, Cabeça e Mestre de todos nós, é o verdadeiro altar.

EM CRISTO SOMOS TAMBÉM ALTAR

Isto significa que, sendo Cristo a Cabeça do seu Corpo, que é a Igreja, logicamente seus membros e discípulos, os cristãos e as cristãs, podem ser considerados também, em Cristo, como outros tantos altares. Altares espirituais, nos quais se oferece a Deus o sacrifício de uma vida santa. Quer dizer: sobre o altar de nós mesmos, “sacrificamos” a nossa vida em favor dos nossos irmãos e irmãs, sobretudo os mais pobres. Como fez Jesus! Os próprios antigos Padres da Igreja sugerem toda essa compreensão de altar.

Santo Inácio de Antioquia († 117), ao ser levado a Roma para ser martirizado, fez o seguinte pedido: “Não me dêem nada mais do que ser imolado a Deus, enquanto o altar ainda estiver preparado”. São Policarpo († 156), ao exortar as viúvas a levarem uma vida santa, diz que elas “são altar de Deus”. E vejam o que escreve o papa São Gregório Magno (590-604): “Que é o altar de Deus? Não é o espírito dos que vivem no bem?...

É muito certo, pois, que se chame de altar o coração (dos justos)”. Ou também, usando outra imagem, a partir do escritor cristão Orígenes († 254), a Igreja hoje afirma: “Os fiéis que, entregues à oração, oferecem preces a Deus e imolam vítimas de súplicas, são pedras vivas com que o Senhor Jesus constrói o altar da Igreja” (cf. Ritual da dedicação de altar, n.º 2).

O ALTAR, MESA DO SACRIFÍCIO E DO BANQUETE PASCAL

Porque Cristo é o altar verdadeiro e, em Cristo, também nós somos altar, é natural que a mesa sobre a qual oferecemos a Deus o sacrifício de Cristo (e, em Cristo, o nosso sacrifício), e em torno da qual participamos do banquete pascal que nos é dado pelo Senhor, venha a ser chamada também de altar.

Neste sentido, a Igreja hoje nos ensina:

“Cristo Senhor, pelo memorial do sacrifício que, na ara (altar) da cruz, iria oferecer ao Pai, instituindo-o sob a figura de banquete sacrificial, santificou a mesa, em torno da qual os fiéis se reuniriam, a fim de celebrar a sua Páscoa.

Por conseguinte, o altar é a mesa do sacrifício e do banquete; nela o sacerdote, tornando presente o Cristo Senhor, realiza aquilo mesmo que o Senhor fez e entregou aos discípulos para que o fizessem em sua memória; o apóstolo claramente o indica ao dizer:

O pão que partimos, não é a comunhão com o corpo de Cristo? Já que há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão’” (Cor 10,16-17) (cf. Ritual da dedicação de altar, n.º 3).

SINAL DE CRISTO

Em todo lugar, atendendo às circunstâncias, os cristãos e cristãs podem celebrar o memorial do Cristo e sentar-se à mesa do Senhor. Mas é bom que haja um altar estável para a celebração da Ceia do Senhor. Harmoniza-se com o mistério eucarístico, motivo pelo qual se trata de um costume que vem da mais remota antiguidade cristã. No atual Ritual da dedicação de altar está escrito que, por sua natureza, o altar cristão “é a mesa própria para o sacrifício e o banquete pascal: mesa própria, onde o sacrifício da cruz se perpetua pelos séculos, até que Cristo venha; mesa onde os filhos da Igreja se congregam para dar graças a Deus e receber o Corpo e o Sangue de Cristo”.

E continua, citando a Instrução Geral sobre o Missal Romano:

“Portanto, em todas as igrejas o altar é ‘o centro da ação de graças que se realiza pela Eucaristia’, para o qual, de algum modo, convergem todos os outros ritos da Igreja”.

E diz mais: “Por realçar que no altar se celebra o memorial do Senhor e se dá aos fiéis seu Corpo e Sangue, os escritores eclesiásticos foram levados a vê-lo como sinal do próprio Cristo – e daí tornar-se comum a afirmação: ‘O altar é Cristo’” (ibid., n.º 4).

HONRA DOS MÁRTIRES

O altar é a mesa do Senhor. Esta é a sua maior dignidade. Na antiguidade era costume dos cristãos erigir o altar sobre os restos mortais dos Mártires. E tinham consciência de que não são os corpos dos Mártires que honram o altar, mas o altar é que torna nobre o sepulcro dos Mártires. Por isso, para honrar seus corpos e dos outros Santos, e também para significar que o sacrifício da Cabeça se perpetua no sacrifício dos membros, hoje se recomenda erigir os altares sobre os sepulcros destes ou encerrar suas relíquias sob os mesmos.

Deste modo, como escreve Santo Ambrósio de Milão († 397), “entrem as vítimas vitoriosas no lugar em que Cristo é a Vítima. Mas, sobre o altar, aquele que morreu por todos; e, sob ele, os resgatados pela paixão de Cristo”.

Faz lembrar a visão do evangelista João, exilado na ilha de Patmos, registrada no livro do Apocalipse:

“Vi debaixo do altar, com vida, os que tinham sido degolados por causa da palavra de Deus e do testemunho que guardavam” (Ap 6,9).

E o atual Ritual da dedicação de altar explicita: “Na verdade, todos os Santos podem, com justiça, ser chamados testemunhas de Cristo. Contudo, o testemunho dado pelo sangue possui força espiritual, que somente as relíquias dos Mártires, colocadas sob o altar, expressam de modo total e íntegro” (ibid., n.º 5).

O CUIDADO DO ALTAR, UM DESAFIO...

O altar cristão é importante “memória” do verdadeiro altar, que é Cristo. Nele, todo cristão e cristã são também altares espirituais. Ele é, ao mesmo tempo, a mesa do sacrifício e do banquete pascal, sinal de Cristo e honra dos Mártires.

Então, resta-nos um desafio: como tratá-lo e como cuidar dele, de maneira que ele possa evocar, de verdade, o mistério de Cristo e da Igreja? O que fazer com o altar, de tal maneira que sua presença no espaço litúrgico realmente nos fale deste mistério? Numa próxima ocasião buscaremos responder a esta pergunta.

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por José Ariovaldo da Silva, ofm
Publicado no site Mundo e Missão