quinta-feira, 11 de março de 2010

Vivendo a Semana Santa IV (Vigília Pascal)


VIGÍLIA PASCAL

1. A Vigília Pascal

Antes da reforma litúrgica de 1955, a primeira parte da liturgia era reservada quase ao clero e aos ministros. Essa cerimônia tinha participação de apenas um grupo restrito de fiéis. Após a reforma de Pio XII e do Vaticano II, essas celebrações foram reformuladas.

A celebração da noite do Sábado Santo abrange diversas partes: 1. A celebração da luz; 2. A Celebração Do Círio; 3. A Celebração da palavra; 4. A liturgia Batismal; 5. A liturgia eucarística.

1.1. A celebração da luz

É o início da comemoração da Ressurreição do Senhor. Esse fato é a Nossa Vitória, garantia de nossa fé. As cerimônias são um convite á Alegria, à Esperança. A bênção do fogo novo, tirado da pedra, é símbolo da luz, da fé que procede de Cristo, pedra Fundamental da Igreja. Dele sai o fogo que ilumina e abrasa os corações. É um costume que se originou na Gália (França) e pretende ser um sacramental substitutivo das fogueiras pagãs, que se acendiam no início da primavera, em louvor da divindade Votan, com a finalidade de se obter uma colheita dos frutos da terra.

O costume de se extrair fogo, golpeando uma pedra, provém da Antigüidade germânica pagã. A pedra passa a ser símbolo do Cristo que ilumina e abrasa os corações. Ele é a pedra angular que, sob os golpes da cruz, jorrou sobre nós o Espírito Santo.

1.2. O Círio Pascal

O círio pascal provém do costume romano de iluminar a noite com muitas lâmpadas. Esses lâmpadas passam a ser símbolos do Senhor Ressuscitado dentro da noite da morte. Originalmente o círio tinha a altura de um homem, simbolizando Cristo-luz que brilha nas trevas.

Os teólogos francos e galicanos enriquecem-no com elementos simbólicos. Aparecem assim as inscrições de Cristo, ontem e hoje, Princípio e Fim, e a primeira e a última letra do alfabeto grego (alfa e ômega). Coloca-se ainda o ano litúrgico corrente, pois Cristo é o centro da História e a ele compete o tempo, a eternidade, a glória e o poder pelos séculos.

Colocam-se, ainda, cinco grãos de incenso, nunca espécie de cravo de cera vermelha, rezando: Por suas santas chagas, suas chagas gloriosas, Cristo Senhor nos proteja e nos guarde. Amém. O sacerdote acende depois o círio, que é a Luz de Cristo. Entoa-se o refrão: Eis a luz de Cristo. E todos respondem: Demos graças a Deus!
À porta de igreja ergue-se o círio e canta-se pela Segunda vez: Eis a luz de Cristo! E todos respondem: Demos graças a Deus!

Todos acendem suas velas no fogo do círio pascal e a procissão entra pela nave da igreja, que está nas trevas. Chegando ao altar, entoa-se pela terceira vez o canto: Eis a luz de Cristo! E o povo responde: Demos graças a Deus!

Acendem-se então todas as luzes da Igreja. O cortejo, que se forma atrás do círio pascal, é repleto de símbolos. É alusão às palavras de João: Eu sou a Luz do mundo; o que me segue não caminhará nas trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8,12). O círio, conduzido à frente, recorda a coluna de fogo pela qual Javé precedia na escuridão da noite o povo de Israel, ao sair da escravidão do Egito, e lhe mostrava o caminho (Êx 13,21).

Chegado ao altar, depois da solene entronização e incensação do círio, o sacerdote entoa a Proclamação solene da Páscoa, cantando o Exultet, tirado da palavra latina inicial desse canto solene. As idéias centrais desse canto, de autor desconhecido, são tiradas dos pensamentos de Santo Agostinho e de Santo Ambrósio. Canta as maravilhas da libertação do Senhor, vindo em socorro da humanidade e protegendo seu povo eleito. É um canto de louvor, ação de graças a Deus pelas maravilhas operadas na libertação do Egito. Esses fatos maravilhosos atingem sua plenitude pela vida, morte e ressurreição de Jesus, única Luz que ilumina todo o homem que vem a este mundo. É o cântico da Vitória de Cristo que realizou a Passagem, a Páscoa, para a vida do amor e da fraternidade.

1.3. A liturgia da palavra

A liturgia da palavra abrange as leituras bíblicas, sendo duas do Novo Testamento, a Epístola e o Evangelho. É uma alusão ao mistério de nossa Libertação. Por razões de ordem pastoral, é aconselhável a omissão de algumas leituras. Pode-se diminuir o número de leitores do Antigo Testamento, mas nunca se deve omitir a narração da passagem do Mar Vermelho, pelo seu caráter de figura tipológica do mistério Pascal. Para cada leitura há um Salmo Responsorial e uma oração. Após a sétima leitura, que é a última do Antigo Testamento, acendem-se as velas do altar e o sacerdote entoa o canto Gloria in excelsis, juntando ao canto o som festivo dos sinos da igreja.

Após a primeira leitura do Novo Testamento (Epístola), o sacerdote (ou outra pessoa indicada, ou o coral) entoa o cântico solene do Aleluia, quebrando o clima de tristeza que acompanha o tempo da Quaresma. Esse canto solene, repetido gradativamente três vezes, em tom cada vez mais alto, representa a saída de Cristo da sepultura e a entrada solene no mundo da glória e da luz dos céus. Por fim, proclama-se o evangelho, contando o relato da ressurreição, fato central da fé cristã.

1.4. A liturgia batismal

Após a liturgia da palavra segue-se o batismo de alguns fiéis perante a comunidade. É o momento justo para a celebração do sacramento do batismo, como entrada solene na comunidade daqueles que acreditam no Cristo ressuscitado.

A apresentação dos candidatos à comunidade e o cântico da ladainha de Todos os Santos mostram a universalidade da Igreja. A bênção da água batismal é feita com o simbolismo do mergulho do círio pascal na água, dando-lhe a força do Espírito Santo.

A renúncia do mal e a profissão solene de fé dão um caráter participativo à comunidade. Caso haja batizado de adultos, eles recebem também o sacramento da confirmação pela imposição das mãos do ministro do batismo, caso o bispo esteja presidindo a celebração. Quando não há batismo-confirmação, sempre se benze a água, que é levada solenemente até a pia batismal. É feita ainda a aspersão da água benta, recordando o batismo que deve ser renovado pela contínua inserção na fé e renúncia ao mal.

1.5. Liturgia eucarística

A liturgia eucarística, com a apresentação das oferendas e a prece, atinge o clímax da celebração pascal. O prefácio exalta o verdadeiro Cordeiro, que morrendo, destruiu a Morte e, ressuscitando, deu-nos uma vida Nova. Toda a prece eucarística é plena de alegria, louvor e ação de graças, pois Cristo se faz presente pessoalmente e não apenas nos sinais-símbolos.

A presença do Ressuscitado se faz atuante no ósculo da Paz, recordando Jesus que dirigi a saudação aos discípulos na tarde do dia da Ressurreição.

1.6. O Domingo da Páscoa

No início do cristianismo, o Domingo de Páscoa não tinha uma liturgia própria, porque, a celebração pascal se desenvolvia até a madrugada. Após a reforma litúrgica de 1955 e 1970, o Domingo passa a ser considerado como uma festividade verdadeira e própria.

A celebração desse dia é plena de alegria e esperança. As leituras são sempre as mesmas em todos os ciclos anuais. A seqüência pascal marca a emoção e a espera da comunidade. Jesus Cristo é vencedor da Morte. Ele rompeu as barreiras do tempo e do espaço. Ele é um convite à nossa ressurreição.
Em muitas comunidades, muitos fiéis não tomaram parte no Tríduo Sacro. Por isso os sacerdotes e a comunidade precisam tomar consciência da unidade da morte e ressurreição de Cristo como sendo um todo do Mistério Pascal.

2. A Celebração da Vigília Pascal

Noite mais clara que o dia! Assim canta a Igreja na Vigília Pascal, mãe de todas as celebrações da Igreja. Com o acender do círio pascal, na noite escura, dá-se início á celebração. Assim a Ressurreição de Jesus dentre os mortos ilumina o mundo com a serenidade de sua luz.

A Vigília Pascal foi restaurada, mas ainda não se tem consciência de sua riqueza e necessidade. A “Semana Santa” não termina com a sepultura de Jesus, nem a Páscoa consiste seu sentido a partir da Ressurreição da Jesus. Nela também nasce e toma sentido toda a vida cristã. Celebrar esta noite santíssima é ressuscitar com Cristo. A vitória de Cristo é a vitória de todo o cristão.

A Páscoa cristã tem sua história no Antigo Testamento. A ordem de Deus era que fosse celebrada sempre. Recordando as maravilhas operadas por Deus na História da salvação Olhamos também para o futuro: a realização de todas as promessas garantidas pela Ressurreição e a realização da vida nova e vida de cada um que nasceu de novo.

A celebração da Vigília Pascal tem quatro momentos:

Liturgia da Luz
Liturgia da Palavra
Liturgia Batismal
Liturgia Eucarística

2.1. Liturgia da Luz

Bênção do fogo e preparação do Círio

Segundo antiga tradição, o fogo aceso com pederneira (tirando da pedra), simboliza o Cristo, a luz que sai do túmulo de pedra. Com ele se acende o Círio Pascal. Ele é a imagem e símbolo de Cristo ressuscitado, luz do mundo, que entra pela Igreja escura e vai iluminando lentamente, até atingir o clarão total. A luz é Cristo.

O Círio é preparado: faz-se nele uma cruz explicando que Cristo salvou pela Cruz. São colocadas as letras A e Z, dizendo que Cristo nos salva pelas suas chagas. Acende-se o Círio e se inicia a procissão em direção ao altar. É a coluna de fogo que guia o novo povo resgatado de uma escravidão e salvo pelas águas do batismo. Entrando no Reino de Deus, presente na Eucaristia.

Proclamação da Páscoa

Canto da proclamação da Páscoa (Perônio): na alegria de Cristo Ressuscitado são proclamadas as festas pascais. Celebram-se as maravilhas de Deus nesta noite. Celebra-se a alegria da luz. Não se esquece da abelhinha que produziu a cera com a qual foi feito o Círio, imagem e símbolo de Cristo que conduz o seu povo.

2.2. Liturgia da Palavra

A celebração da Vigília Pascal tem um elemento forte: a liturgia da Palavra. Nela celebra-se o Cristo que é Palavra do Pai, luz do mundo. Ele está presente na Palavra lida na comunidade. É a proclamação da História da Salvação e das maravilhas realizadas por Deus, até chegar a Cristo, maravilha que permanece não como uma história passada, mas como vida da qual participamos. São 7 (sete) leituras do Antigo Testamento, sendo uma da Carta de São Paulo aos Romanos e outra dos Evangelhos. Do Antigo Testamento não é obrigatório ler todas. Recomenda-se, porém , que sejam escolhidas pelo menos três. E a leitura do Êxodo (14,15-15,1) não pode ser omitida. A Igreja recomenda que o critério de escolha das leituras seja o pastoral e não a comunidade. Elas são uma excelente catequese do Ministério Pascal de Cristo.

a) Primeira Leitura (Gn 1,1-2,2 ou 1,1.26-31a)

A Criação do mundo e do homem, primeiro gesto de salvação de Deus: Criação e Ressurreição vêm juntas, pois em Cristo ressuscita se faz presente a nova criação. A criação em Cristo encontra seu 7o dia, dia do repouso, e o homem, o ingresso no Paraíso. Em Cristo todas as coisas se fazem novas. Todo o mundo criado, juntamente com o povo fiel, canta a glória do Cristo. O homem é o centro da criação. Em Cristo, novo homem, novo Adão da história, a criação e toda a humanidade tomam novo sentido e têm nele sua garantia. O mundo é o lugar da salvação.

b) Segunda Leitura (Gn 22,1-18 ou 22,1-2.9a.10-13.15-18)

O Sacrifício de Abraão, nosso Pai na Fé. Abraão é chamado por Deus a constituir o povo de Deus. Tantas são as promessas. Mas Abraão é colocado à prova. Responde com fé e generosidade! O povo de Deus é nascido não do sangue, mas da fé no Deus que chama a compartilhar de seu plano de vida. Cristo é o novo cordeiro que está em nosso lugar, na resposta total e fiel a Deus. Sua descendência será grande como as areis da praia.

c) Terceira Leitura (Ex 14,15-15,1)

Passagem do Mar Vermelho. O povo de Deus tem uma forte experiência de libertação através das águas do mar. São as maravilhas de Deus que acompanham a criação e formação do povo de Deus. O novo povo passa pelas águas do batismo, que lhe dão não uma liberdade humana, mas a passagem da morte de cada cristão através de sua passagem com Cristo nos sacramentos.

d) Quarta Leitura (Is 54,5-14)

A Nova Jerusalém caminha para o esplendor da luz do Senhor. A Nova Jerusalém é figura da Igreja, novo povo de Deus, reunido em Cristo numa só família pelo seu sacrifício pascal. Novo povo, na unidade do Pai, do Filho e do Espírito, é instruído pela Palavra de Deus. Será povo Santo.

e) Quinta Leitura (Is 55,1-11)

A salvação é oferecida gratuitamente a todos os povos. O povo de Deus não isolado e fechado. A salvação é como um banquete oferecido a todos os povos. É uma aliança prometida a todos. Deus é generoso em sua promessa, sua Palavra não cai em vão, mas produz sempre o fruto.

f) Sexta Leitura (Br 3,9-15.32-4,4)

Fonte de vida e sabedoria. Fazemos parte de um povo novo pelo Batismo. Somos constantemente chamados a procurar a sabedoria e a caminhar na luz de sua lei, que é um jugo suave e de leve peso. A lei dos ressuscitados é o amor de Cristo.

g) Sétima Leitura (Ez 36,16-17a.18-28)

Um coração novo e um Espírito novo. Pela Ressurreição de Cristo todos serão transformados e reunidos em um único povo purificado pela água do Batismo. O coração transformado receberá um Espírito novo, estabelecendo-se uma aliança de amor e de mútua pertença, fruto da Páscoa. A oração que segue a leitura evoca a ação de Jesus restaurador de todas as coisas. A Igreja reunida é o ponto de chegada de todo o caminho de salvação iniciando no gesto criador de Deus.

h) Hino de Louvor

Canto do Glória. Depois de uma longa Quaresma, tempo de reflexão e penitência, chegamos ao momento de celebrar a alegria da Ressurreição. É o hino de louvor e adoração ao Cristo vivo, na unidade do Pai e do Espírito.

i) Oração

Rezemos a alegria desta noite santíssima iluminada pela Ressurreição. Pedimos a Deus o espírito filial e o reavivamento da comunidade cristã.

j) Oitava Leitura - Epístola (Rm 6,3-11)

Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais. Pelo Batismo estamos unidos à morte de Cristo, com ele caminhamos na Vida nova. Somos semelhantes a ele. A morte não tem mais domínio sobre ele. Consideremo-nos mortos ao pecado e vivos para Deus.

l) Aclamação ao Evangelho

Aleluia! Louvado seja Deus! O sacerdote entoa solenemente a Aleluia que significa: Louvores a Deus. É o momento da explosão de alegria. Santo Agostinho dizia ao seu povo: com o canto do Aleluia nós exprimimos o tempo da alegria, do repouso e do triunfo representados pelos dias pascais. Não temos ainda o objetivo de nosso louvor, ma caminhamos para ele, o Cristo, no seu reino definitivo.

m) Evangelho

Ano A: (Mt 28,1-10)
Ao raiar do dia, surge a nova luz. O anúncio feito às mulheres é simples: “Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito”. Tornam-se elas as primeiras anunciadoras: “Ide depressa contar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos”.

Ano B: (Mc 16, 1-7)
As mulheres entram no túmulo e viram um jovem vestido de branco. Tiveram medo. Disse ele: “Vós procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado? Ele ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde o puseram. Ide, dizei aos discípulos e a Pedro que ele irá à vossa frente, para Galiléia. Lá o vereis”.

Ano C: (Lc 24, 1-12)
“Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou!” Voltaram as mulheres do túmulo e foram contar aos discípulos. Pedro correu ao túmulo e foram contar aos discípulos. Pedro correu ao túmulo, debruçou-se, mas só viu as ligaduras. Voltou para casa admirado com o sucedido.

2.3. Liturgia Batismal

a) Exortação

A Igreja, desde os primeiros séculos, ligou a noite pascal com a celebração do Batismo. Toda a celebração é estruturada sobre o tema do Batismo e nossa vida em Cristo Ressuscitado. Baseia-se no pensamento de Paulo que o Batismo é uma imersão em Cristo, na sua morte e o ressurgimento com Cristo na sua ressurreição.
Nas comunidades de muitos catecúmenos, neste momento da celebração recebem o Batismo aqueles que devem se batizados.

Se houver Batismo de adultos, estes recebem também a Crisma e Eucaristia. Batismo, Crisma e Eucaristia formam um só sacramento da iniciação cristã.
Com palavras próprias ou seguindo a fórmula do Missal Romano, o Celebrante faz breve exportação ao povo sobre o significado e a importância do Batismo.

b) Ladainha de todos os Santos

O rito da Liturgia Batismal inicia-se com a ladainha de todos os santos. Invocamos a presença de toda Igreja celeste e terrestre para que esteja orando junto, implorando o Dom do Batismo não é algo pessoal, mas pertence a todo o povo de Deus no qual é inserido o batizado. Todos enxertados em Cristo.

c) Bênção da água batismal

A solene bênção relembra e faz memória de todas as maravilhas operadas por Deus mediante a água do Jordão.
Coloca-se o Círio dentro da água, pedindo ao Cristo que infunda nesta água a força do Espírito Santo, para que quem nela for batizado seja sepultado na morte com Cristo e ressuscite com ele para a vida. Segue-se o rito do Batismo, se houver pessoas para serem batizadas.

d) Renovação das Promessas do Batismo

Terminado o rito do Batismo, a comunidade faz a renovação de suas promessas batismais e de seu aprofundamento na fé. É o momento em que nos inserimos mais profundamente no mistério da Cristo Ressuscitado, através dos ritos da Igreja. Ficam todos de pé com as velas acesas.

2.4. Liturgia Eucarística

a) Oração Eucarística

É o momento culminante da celebração. A comunidade, reunida em torno da Páscoa, renova o mistério da imolação e glorificação de Cristo.

Batizados em Cristo, ungidos por seu Espírito, entramos em comunhão total com ele, fazendo sua a nossa vida, participando do seu mistério.

Transformados em homens e mulheres novos, nesta noite santíssima fazemos uma ação de Graças a Deus, pelo que Deus realizou em Cristo: ele é o cordeiro de Deus que tirou o pecado do mundo; morrendo, destruiu a morte e, ressuscitando, restaurou-nos a vida.

Vivos em Cristo, com ele viveremos no amor. O abraço da paz será o símbolo da paz instaurada por Cristo. Paz que dá testemunho ao mundo da vitória do Ressuscitado. As promessas se cumpriram: surgiu um novo céu e uma nova terra no gesto de amor e de fraternidade universal.

3. Preparação da Celebração

Esta é uma noite sacramental. A proclamação da Ressurreição do Senhor, mais do que um ato de fé, deve ser celebrada como uma atualização da Graça Pascal para a Comunidade. A História da Salvação, resumida nas diversas Leituras, converge para a alegria e a certeza de uma participação atual no Projeto Pascal de Deus.

Celebrar é integrar-se nessa mesma História, é tornar-se hoje personagem vivo de uma Salvação que continua acontecendo através da presença viva de Jesus Ressuscitado. Daí, a centralidade e a importância da Liturgia Batismal, que significa este mergulho do homem no mistério da Morte e Ressurreição do Senhor.

A Eucaristia une-se fortemente ao Batismo, como parte de uma só realidade sacramental: tornar-se um só Corpo com o Senhor Ressuscitado. A própria Liturgia do Sábado Santo, quando bem celebrada e participada, evidencia por si mesma a melhor Mensagem de Páscoa, que dispensa uma Homilia especial.

3.1. Sugestões

a) Fazer uma verdadeira fogueira, suficientemente distante da igreja, para que possibilite uma procissão de todos os fiéis. Cada família pode ser convidada a trazer algum pedaço de madeira ou um graveto, que juntará à fogueira, com o sentido de participar na realização deste fogo novo.
b) Ao proclamar as palavras que acompanham a incisão do Círio, o Celebrante deve fazê-lo recitando ou cantando, convidando a Comunidade a repeti-las.
c) Círio Pascal: cantar o Precônio às luz das velas, fazendo com que a Comunidade participe do canto através de aclamações. (P. Ex.: Vem, amigo, vem, irmão,/ hoje é Páscoa do Senhor./ Vem, Senhor Jesus. Amém.)
d) Liturgia da Palavra: preparar de tal forma que não seja cansativa, seja participada e comunicativa.
- fazer uma entrada solene da Bíblia, que será colocada perto do Círio Pascal e incensada antes de começar as Leituras. Se possível, fazer entrar 2 Bíblias, ama aberta no Antigo Testamento, e outra no Novo Testamento.
- fazer as leituras em forma dialogada.
- alternar entre ler, contar espontaneamente ou até cantar o conteúdo das Leituras.
- usar slides, cartazes com os temas, representação visual, corporal.
- cantar os Salmos de meditação ou substituir por cantos conhecidos, que expressem o tema da Leitura proclamada.
e) antes do Glória, montar e enfeitar o altar principal, fazendo uma procissão.
f) mais uma vez, enquanto possível, levar as crianças para um outro local onde tenham uma Celebração da Palavra adaptada a elas. Fazê-las irromper na Comunidade no momento do Glória, com cantos e gritos de alegria.
g) Liturgia Batismal: deve ser feita de tal modo que realmente seja percebida como parte integrante da Celebração Pascal. É a Ressurreição de Jesus que se comunica sacramentalmente ao ser humano.
O melhor é realizar um verdadeiro Batizado, principalmente se for de adulto. O sentido da Vigília pascal se expressa melhor no Batismo de imersão, que poderia ser feito principalmente com crianças, à semelhança da imersão do Círio Pascal. Na Ladainha de todos os Santos, acrescentar também os Santos de devoção da Comunidade. Se não for cantada, fazer com que pessoas ou grupos de pessoas façam as invocações de alguns Santos. Na renovação das promessas do Batismo, ao invés de aspergir com água benta, providenciar algumas vasilhas nas quais a água batismal seja distribuída e apresentada à Comunidade, para que possa fazer o Sinal da Cruz.
h) O abraço da Paz pode ser dado no fim da Celebração, de modo que permita uma troca
alegre e demorada de Feliz Páscoa entre todos os participantes da Celebração.

3.2. Preparar

a) para a bênção do fogo:
- uma fogueira (num lugar fora da igreja, onde o povo se reúne);
- o Círio Pascal;
- cinco grãos de incenso; um estilete;
- utensílio adequado para acender a vela com o fogo novo;
- lanterna para iluminar os textos a serem lidos;
- velas para os que participam da vigília;
- incenso; talha de barro ou turíbulo;
- utensílio para se tirar as brasas acesas do fogo novo e deitá-las na talha de barro ou turíbulo;
- tochas (acompanharão o Círio Pascal).

b) para a proclamação da Páscoa ( Exultet) e para a liturgia da palavra:
- candelabro para o Círio Pascal, posto junto à mesa da Palavra;
- uma estante para o (a) cantor(a) proclamar o Exulte e para os leitores da liturgia da palavra;
- Lecionários;
- foguetes e sino.

c) para a liturgia batismal:
- potes, jarros ou recipientes adequados, com água;
- aspérgio ou um ramo apropriado para se lançar a água benta;
- quando se administram os sacramentos da Iniciação cristã: óleo dos catecúmenos, santo crisma,
vela batismal, Ritual do Batismo.

3.3. Pessoal e Serviços

- Montadores da fogueira;
- Acendedora do fogo novo;
- Carregador(a) do Círio Pascal;
- Carregadores das tochas ( acompanharão o Círio Pascal );
- Carregadores(as) das talhas de barro ou dos turíbulos;
- Apagadores e acendedores das luzes da igreja;
- Cantor(a) da proclamação da Páscoa (Exulte);
- Leitores; são propostas nove leituras: sete do Antigo Testamento e duas do Novo Testamento (Epístola e Evangelho). Por razões pastorais pode-se diminuir o número de leituras do Antigo Testamento, sendo que a terceira (Êx 14,15-15,1) não pode ser omitida;
- Salmista(s) ou cantor(es) para os Salmos Responsoriais das Leituras;
- Arrumadeiras do altar (enfeites e adornos apropriados, no momento em que se entoa o Hino de Louvor);
- Batedores de Sinos;
- Soltadores de foguetes; (ao entoar o hino Glória a Deus nas alturas, tocam-se os sinos e soltam-se os foguetes);
- Carregadoras dos jarros ou potes, com água;
- Benzedeiras, (ministras ou ministros) para aspergirem a assembléia com a água benta;
- Apresentadores(as) dos catecúmenos;
- Organizadores(as) da procissão até a pia batismal ou ao batistério;
- Servidoras(es) da mesa do pão.

Vivendo a Semana Santa III (Sexta-feira Santa)


SEXTA-FEIRA SANTA

A reforma litúrgica de Pio XII, em 1955, introduz a comunhão aos fiéis. No mais, conservou a maior parte dos costumes anteriores. O Vaticano II fez profundas modificações nessa liturgia. A celebração já tinha sido fixada na parte da tarde pelo ORDO precedente. Havia também a possibilidade de se fazer a liturgia da Palavra na parte da manhã e deixando para tarde a veneração da cruz e a comunhão. Os motivos pastorais, no entanto, exigiram que se fizesse uma só cerimônia, para não obrigar as pessoas a se reunirem duas vezes no mesmo dia.

Nesse dia não há assim celebração da eucaristia - missa, mas apenas a Comemoração da paixão e morte do Senhor. Essa atitude de respeito pelo jejum, abstinência, tristeza e silêncio é feita na Esperança. Pela morte veio a Vida; pelo fracasso aparente, salvação dos homens. Esse Mistério da salvação dos homens pela morte do Filho de Deus é loucura para quem vive numa sociedade de consumo, de produção, de sucesso e de glórias efêmeras. Mas aquilo que é loucura de Deus é mais sábio que os homens, e o que é fraqueza de Deus é mais que os homens (1Cor 1,25).

A celebração da Morte do Senhor consta de leituras bíblicas (Is 52,13 até 53,12; Hb 4,14-16; 5,7-9) e da narração da Paixão do Senhor (Jo 18,1-19,42). Logo após a liturgia da palavra, fazem-se as Preces da Igreja Universal. Essa oração universal mostra a dimensão da catolicidade da Igreja como a grande Comunidade. Seguem-se a Adoração da Cruz e a Liturgia da Comunhão. A Sexta-feira Santa é um convite ao respeito e à simplicidade, recordando a Morte de Senhor. Só entende a Vida quem compreende o Mistério da Dor e do Sofrimento. Comemorar a morte do Senhor é comprometer-se com Cristo Verdade e Vida, que nos dá o sentido do Transcendente e do Eterno.

O Mistério da Redenção ganha sentido maior na ressurreição, ou seja, na passagem do mundo da tristeza para a Alegria, da escravidão para a Liberdade, das trevas para a Luz, do egoísmo do pecado para Vida de Amor.

1. Celebração da Paixão do Senhor

Hoje não celebramos a Eucaristia, porque a Igreja tem esta longa tradição de não Celebrar missa na Sexta-feira Santa. Nós nos reunimos para comemorar e reviver a paixão do Senhor. A Igreja contempla Cristo que, morrendo, se oferece como vítima ao Pai, para libertar toda a humanidade do pecado e da morte. Nós adoramos nesta celebração o mistério de nossa salvação e dispomos nosso coração na fé e no arrependimento, para que possamos ser curados e santificados pelo sacrifício de Cristo.

Aos pés da Cruz, a Igreja em oração quer trazer as dores de toda a humanidade, para que o sangue precioso de Cristo possa curar todos os males e fazer crescer a semente do reino plantada pela sua Palavra, regada com seu sangue e cuidada com a força da sua Ressurreição.

A celebração de hoje tem 4 partes:

• Paixão proclamada: Liturgia da palavra
• Paixão invocada: Solene Oração Universal
• Paixão venerada: Adoração da Cruz
• Paixão comungada: Comunhão eucarística.

Proclamando o acontecimento da Paixão, nós nos tornamos participantes e recebemos a força de sua Cruz. Assim, diante do mistério da morte de Cristo, nós nos sentimos impelidos a não deixar ninguém fora deste sangue que nos liberta e lava. Cheios de amor, veneramos a cruz, num gesto de adoração àquela que se entregou até à última expressão do Amor. Nada faltou da parte de Deus, para nos amar e demonstrar a verdade de sua proposta de vida nova.

Comungando, fazemos um só corpo com ele e com todo o povo de Deus. Como diz a oração final da celebração: “Ó Deus, que nos renovastes pela santa morte e ressurreição do vosso Cristo, conservai em nós obra de vossa misericórdia, para que, pela participação deste mistério, vos consagramos sempre a nossa vida”.

2. Liturgia

2.1. Início da Celebração

Os celebrantes e ministros aproximam-se em silêncio do altar.
Todo o povo se ajoelha.
Os celebrantes podem prostrar-se ou ajoelhar-se, em sinal de profunda reflexão e compenetração no mistério que vão celebrar. Após alguns instantes, levantam-se e dirigem-se aos seus lugares.
O povo fica de pé.
Voltando para o povo, o celebrante que preside reza a oração.

2.2. Oração

Pedimos a Deus que, pelo sangue de Cristo derramado na cruz, se lembre de suas misericórdias e nos santifique pela sua constante proteção.

3. A Paixão Proclamada (Liturgia da Palavra)

3.1. Primeira Leitura ( Is 52,13-53,12)

A Palavra de Deus apresenta o cântico do Servo de Javé, uma profecia sobre o Cristo sofredor que assumiu nossas dores, curando-nos por suas chagas. Ele ofereceu sua vida como expiação. Sua morte é vida para todos nós, pecadores. O salmo reza com Jesus na Cruz sua entrega a Deus: “Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito”. A morte de Jesus culmina num grande grito de certeza de vida que está nas mãos de Deus: “ Senhor, eu ponho em vós minha esperança”. No servo sofredor estamos todos nós, também para viver. (Pág. 141, no 4)

3.2. Segunda Leitura

A Palavra de Deus desta leitura explica quem é servo de Javé, sofredor: Ele é o sumo sacerdote, aquele que nos dá plena segurança de nos aproximarmos do trono da graça, “para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno”. Ele é o mediador e sabe entender nossas enfermidades, pois passou por elas, menos no pecado. Pela sua obediência, teve seus clamores ouvidos. Deus o ressuscita. Dá-nos assim garantia que nossa luta contra todo mal será ouvida e temos uma ressurreição semelhante à sua. “Por isso Deus o elevou acima de tudo”, nos diz São Paulo (F12,9). Por meio de seu sofrimento e morte temos na casa do Pai um medidor, da nossa parte, a nos garantir.

3.3. Evangelho - Paixão do Senhor (Jo 18,1 - 19,42)

João narra a Paixão não somente um fim trágico de Cristo, mas como o caminho de sua glorificação. Jesus dizia: Quando for exaltado da terra atrairei todos a mim. Jesus não morre empurrado por um sistema. Tem plena consciência de sua missão de unir todos os dispersos. Tem plena consciência de sua missão de unir todos os dispersos. Tem força suficiente para crer que sua paixão e morte são Revelação do amor do Pai: O Pai amou tanto o mundo que deu seu Filho.

Esta morte está direcionado exercendo total influxo na Igreja, figurada por Maria ao pé da Cruz recebendo o discípulo. Ali nascem os sacramentos do sangue, Eucaristia e água, batismo. Ele culmina com o Dom do Espírito: Inclinando a cabeça, entregou o Espírito. Bem dizem os santos padres: Do lado de Cristo adormecido na Cruz nasceu a nova Eva, a Igreja, fecundada pelo Espírito, gerando filhos para Deus.

4. Paixão Invocada, Venerada e Comungada

4.1. Oração Universal

No dia da celebração da paixão de Cristo para a salvação de todos, a Igreja abre os braços e o coração para realizar uma oração de intercessão pela salvação do mundo, A Igreja, que tem por cabeça o Cristo Sacerdote, em nome e por meio dela apresenta ao Pai suas grandes intenções. Toda a humanidade é trazida nesta oração aos pés da Cruz, na qual Cristo morre. É o primeiro resultado da morte de Cristo: abrir-se e preocupar-se com o mundo inteiro.

4.2. Paixão Venerada (Adoração da Cruz)

A liturgia está centrada no sacrifício de Cristo. Por isso se apresenta a Cruz para a adoração. Não adoramos a madeira da Cruz, mas a pessoa de Cristo crucificado e o mistério significado por esta morte por nós. Mesmo sendo um momento de morte, liturgia não deixa de estabelecer que Cristo está vivo e ressuscitado.

Adoramos vossa Cruz, Senhor, louvamos e glorificamos vossa santa Ressurreição, pois pelo lenho da Cruz veio a alegria ao mundo inteiro. A Cruz é sinal da vitória de Cristo que arrebenta as portas do mal. É a expressão máxima do amor do Pai: “Deus tanto amou o mundo, que lhe deu o seu único Filho” (Jo 3,16).
A Cruz é a árvore da vida, cujo fruto bendito nos faz viver eternamente. Não podemos esquecer que na Cruz está o projeto de morte de todos os males do mundo. Ela é libertação.

4.3. Paixão Comungada (Comunhão)

O momento da comunhão é a profissão de fé no Cristo que está vivo e que, pela comunhão, nos torna um só corpo com ele. O sangue que nos remiu nos livrou da morte e do mal, afastou o tentador, que queria dominar sobre nós e estabelecer em nós o mal, e introduziu-nos no Reino de justiça, de amor e de paz.
Assim nós estamos em comunhão com Cristo e com toda Igreja, e fazemos de nossa vida a vida de Cristo. Comungando Cristo, comungamos seus sentimentos, ao se entregar ao Pai, e comungarmos a vida que ressurge.

5. Encerramento

5.1. Oração depois da Comunhão

Pedimos a Deus que, pela nossa participação no mistério da paixão e morte de Cristo, conserve em nós a obra de sua misericórdia.

5.2. Oração sobre o povo

O sacerdote pede para o povo a bênção de Deus, perdão, consolo e crescimento na fé, e que a redenção se confirme em nós. Assim termina esta celebração, mas a vivência do Tríduo Pascal continua. Mesmo a celebração das tradições populares da Procissão do Enterro e das Dores de Maria não devem nos desviar daquele pensamento central da Igreja para os dias de hoje e de amanhã: meditação, silêncio e reflexão diante do túmulo de Jesus, que morreu e “desceu à mansão dos mortos” como rezamos no Creio. É a solidariedade de Cristo com todos os mortos, como foi solidário com todos os vivos. Significa que Cristo é Salvação de todos, em todos os tempos. Sua morte é uma vez por todas. Sejamos solidários com Cristo que é solidário conosco.

6. Preparação da Celebração

6.1. Preparar

- paramentos de cor vermelha
- a cruz ( coberta com o véu; para prender o véu, usa-se alfinete ou fita crepe);
- dois castiçais;
- tapete, almofadas ou genuflexórios desguarnecidos (para a prostração);
- Missal;
- Lecionários;
- toalhas;
- corporais.

6.2. Pessoal e Serviços

- Arrumadoras da cruz para a procissão;
- Preparadoras do lugar para a celebração da Paixão do Senhor;
- Leitores(as): uma leitura do Antigo testamento (profeta Isaías) e as leituras do Novo Testamento: Epístola aos Hebreus e a história da Paixão do Senhor;
- Salmista ou cantor;
- Transportadores (acólitos) dos castiçais;
- Carregadores(as) da cruz para adoração;
- Apresentadores(as) da cruz para a assembléia;
- Arrumadeiras do altar (serviço de mesa);
- Transportadores(as) do pão consagrado para a distribuição aos fiéis.

6.3. Sugestões para Preparar a Celebração

a) Por mais austera que pareça a Celebração da Sexta-feira Santa, é preciso cuidar bem para que seja comunicativa e participada.
b) Um cuidado especial com as Leituras, principalmente a da Paixão: é importante ilustrá-las, visualizá-las, fazer participar através de intervenções de cantos, aclamações, cartazes, slides, símbolos, ou até representação semiteatral. Mais uma vez, é pedagógico que as crianças tenham uma Celebração da Palavra em outro local, adaptada a elas.
c) Sendo a Cruz o símbolo central deste dia, as várias comunidades ou segmentos da Paróquia podem ser convidadas a trazer uma pequena cruz de madeira, com inscrições que apontam os seus sofrimentos e pecados atuais. No momento da Oração universal, cada um apresenta a sua cruz com uma súplica correspondente. Mesmo as pessoas podem ser convidadas a trazer seu pequeno crucifixo para serem bentos no final da Celebração.
d) Na Oração universal : distinguir entre quem convida e o Presidente que recita a oração. Pessoas diversas encarregar-se-ão do convite e, durante a pequena pausa, podem colocar um pouco de incenso sobre o turíbulo ou recipiente fixo, significando a súplica que sobe até Deus. Se não houver incenso (serve também resina de manqueira), cada pessoa traz uma vela acesa e permanece segurando-a até o fim da Oração universal.
e) É importante valorizar a Adoração da Cruz, dando tempo para que o para que o povo possa tocar a Cruz e fazer de fato a sua homenagem pessoal durante a própria Celebração. Se de fato parecer cansativo demais para a Comunidade, fazer com que venham por famílias ou então em grupos, conforme as associações, movimentos, setores, ministérios etc. para um instante de adoração.

Vivendo a Semana Santa II (Quinta-Feira Santa - Ceia do Senhor)


QUINTA-FEIRA SANTA

As reformas litúrgicas do Papa Pio XII, em 1955, já tinham reintroduzido, à noitinha, ou ao menos depois das 4 horas da tarde, uma celebração eucarística para recordar a instituição da Ceia do Senhor. As leituras ficaram as mesmas e não existia ainda a concelebração, a não ser na ordenação episcopal ou sacerdotal.

O Vaticano II fez uma reforma mais profunda. Alterou-se a oração inicial, ressaltando o fato da última Ceia; as leituras procuraram centrar-se sobre o fato da Ceia do Senhor. A primeira leitura recorda a celebração da Pesha judaica (Êx 12,1-8.11-14) que será “transformada pelo novo Cordeiro Pascal, criando um novo povo”. A segunda leitura conta-nos a Ceia do Senhor conforme o relatório de São Paulo (1Cor 11,23-26). O Evangelho nos relata a cena do Lava-pés dos discípulos (Jo 13,1-5), tornando-se um sinal claro do amor de Jesus pelos que seguiam.

O costume do Lava-pés, imitando o gesto de Jesus, era antigo na Tradição da Igreja. Desde o século IV apareceu em todas as liturgias. O concílio de Toledo (634) o exige com firmeza, mostrando ser uma obrigação em todas as igrejas da Espanha e da Sicília. A reforma do Missal, em 1970, tornou-o obrigatório em todas as celebrações da Ceia do Senhor, constituindo parte integrante do gesto de doação de Jesus, ato a ser recordado e atualizado nas comunidades de hoje. A adoração ao Santíssimo Sacramento, que se faz ao fim da Ceia do Senhor, permaneceu como costume de acompanhar a memória de Jesus na angústia e na agonia daquela noite de Quinta-feira Santa.

1. Missa vespertina da Ceia do Senhor

A celebração abre o Tríduo Pascal e é início dos acontecimentos do Mistério Pascal de Cristo. Estão presentes nesta celebração todos aqueles momentos pelos quais passou o Senhor Jesus e aos quais ele associa sua Igreja. Nesta noite, temos diversos elementos que encontramos na Palavra de Deus e nas orações: lembramos aquela Ceia Pascal que já, desde o Egito, é celebrada pelo povo de Deus. Cristo, dentro desta Ceia, continua a caminhada de seu povo e lhe dá novo sentido. Não será mais o memorial da saída da escravidão do Egito, como veneramos na primeira leitura, onde Cristo que, com seu sangue na cruz e sua ressurreição, realiza a nova passagem da morte para a vida.

Jesus celebra uma ceia que contém não somente um passado e um presente, onde ele atualiza de maneira ritual seu mistério, mas o futuro. Já se celebram o Corpo que é entregue e o Sangue que é derramado para a vida e salvação de todos. Nós celebramos a eucaristia e temos fé no memorial que ela realiza, tornando presente tudo o que Cristo fez para nos levar ao Reino de Deus, seu Pai. Jesus, ao celebrar sua Ceia Pascal, antecipa e torna presente tudo o que ele realizará nos próximos dias. Vemos aí a unidade do Mistério Pascal: uno na sua realidade e diverso na sua realização.

O Cristo, sumo sacerdote, associa a si os seus, para que continuem fazendo o que ele fez: “Fazei isto em memória de mim”. Todas as vezes que comemos o pão e bebemos o vinho, anunciamos a morte do Senhor, proclamamos sua presença salvadora e santificadora. Nisto associa a si os apóstolos, como continuadores de sua missão sacerdotal, sacerdotes a serviço do povo sacerdotal naquelas coisas que se referem a Deus.

Dentro desta Ceia ele dá um mandamento, que é o seu, o único: o que vos mando é que vos ameis uns aos outros e que sejais um. O corpo unido dos fiéis conservará a memória. Sua Eucaristia e amor se reduzem a um gesto que Ele mesmo fez: tomou uma bacia e lavou os pés do discípulos. Quem não aceita este modo de ser não tem parte com ele como diz a Pedro. E seremos seus discípulos se fizermos como ele fez. O amor que faz ser autêntica a Eucaristia será o serviço humilde e dedicado, o modo de ser dos ministros de Cristo, o que Cristo foi como sacerdote. Sua presença permanente no Santíssimo Sacramento nos estimula e anima a viver sempre os frutos salutares de sua paixão para chegar à Ressurreição .

2. Oração

Deus constituiu Cristo Sacerdote para seu povo. Unidos a Ele vivemos seu mistério. (Pág. 121, no 7)

3. Liturgia da Palavra

3.1. Primeira Leitura (Ex 2,1-8.11-14)

A Saída do Egito, libertação do povo de Deus, é lembrada no memorial da Ceia Pascal que continua tornando presente a ação libertadora de Deus. É prefiguração da Eucaristia que é memorial do Cristo que salva e liberta seu povo. Nós, no Salmo Responsorial, damos graças a Deus oferecendo o cálice da salvação.

3.2. Segunda Leitura (1 Cor 11,23-26)
No ambiente de fraternidade de uma Ceia, Jesus institui a Eucaristia. Oferece à Igreja o mais preciso Dom: no sinal do pão e do vinho dá seu Corpo e Sangue e sua entrega a Deus. Participando da Eucaristia, sacrifício que ele oferece e do qual participamos, entramos em comunhão com Deus e com os irmãos.

3.3. Evangelho (Jo 13,1-15)

Cristo manifesta o fundamental de sua pessoa: o servo que se humilha e se põe a serviço inaugurando um novo modo de ser diante de Deus, mostrando o sentido de sua missão redentora: um serviço a Deus e aos homens, que se realiza na sua paixão morte. Chama à imitação: “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz”. Só serão reais no mundo a morte e ressurreição do Senhor no momento em que o serviço fraterno e caridoso se tiverem implantado. Aí teremos passado da morte para a vida.

Lava-pés: No momento central da celebração há a memória do gesto de Jesus que dá sentido a todo o seu mistério. É a escola de ser cristão e de atingir a maturidade da fé cristã: descobrir o serviço fraterno como o elemento que nos faz unidos ao mistério de Cristo.

4. Oração Eucarística

A oração que agora fazemos, acompanhando o sacerdote, é a Grande Ação de Graças (Eucaristia) pela obra de Jesus no seu mistério de Morte e Ressurreição. Nela, por Cristo no Espírito damos glória ao Pai. A oferta, a oblação que fazemos, como diz a prece eucarística, é para honrar o dia em que Cristo confiou aos seus discípulos a celebração dos mistérios de Seu Corpo e Sangue (Cânon Romano). Acentua-se o hoje da celebração: Celebramos o dia santíssimo no qual Jesus Cristo foi entregue á morte por nós.

5. Transladação da Eucaristia

Terminada a celebração eucarística, o Santíssimo Sacramento é levado para o altar, onde ficará para a adoração dos fiéis. É um gesto necessário para a celebração da Sexta-feira Santa. A comunidade assume este momento para manifestar sua adoração e agradecimento pelo imenso Dom de Cristo presente e permanente entre nós. A Eucaristia conservada para levar aos doentes é uma oportunidade no mundo a que seja fraterno.

6. Desnudação do altar

A cerimônia que encerra a celebração da Ceia do Senhor e dá o sentido para o dia seguinte é a manifestação exterior da mente da Igreja: despojar-se de tudo para se centrar no Cristo sofredor que faz sua imolação. São retirados do altar todos os objetos e enfeites, ficando completamente despojado de tudo. O Centro é Cristo no seu mistério de total abaixamento. É o modo como devem viver os cristãos nestes dois dias: reflexão, recolhimento, deixando de lado a distração e ocupar-se só com Cristo.

7. Sugestões para preparar a Celebração

Eucaristia, Sacerdócio, Mandamento do Amor costumam marcar esta celebração nitidamente pascal. A Quinta feira santa não deveria ser sentida como um hiato de alegria durante a Semana Santa, mas como a abertura do Tríduo Pascal. Ele oferece o rito que antecede, confere significação e perpetua o acontecimento pascal.

A Adoração e o silêncio que enceram a celebração não devem aparecer como expressão penitencial, mas como convite à interiorização e contemplação da novidade e da perfeição da Nova Páscoa realizada por Jesus e oferecida a nós em forma de Sacramento.

a) O Pão é um símbolo adequado para esta celebração. Criar um momento de Bênção e de Partilha do pão pela Comunidade, talvez no final.
b) No início da celebração eucarística, fazer uma entronização solene do Óleo do Cristo, benzido na Missa do Crisma. É interessante que seja trazido por cristãos adultos e comprometidos pastoralmente. Talvez a comunidade possa ser convidada a fazer algum gesto evocativo do sacramento da Crisma, com um pequeno diálogo ou oração de renovação.
c) Fazer com que a cerimônia do Lava-pés seja significativa para a Comunidade; evitar uma simples execução de rito feita com alguns coroinhas. Uma forma é fazer com que os diversos ministérios eclesiais (catequistas, coordenadores de pastorais), as diversas relações de família, as diferentes profissões e serviços na sociedade (professores, médicos, funcionários etc.) sejam vistos dentro da dimensão do Lava-pés: 12 pares lavam-se os pés, a começar pelo Presidente da celebração. Ou então, o próprio Presidente lava os pés de 12 pessoas representativas dos diversos ministérios praticados na comunidade: doentes, idosos, crianças, pobres, etc. O tema da CF pode inspirar outras modalidades ou personagens para esta cerimônia.
d) Enquanto possível, nesta Eucaristia possibilite-se ao maior número possível de fiéis a Comunhão sob duas espécies. Se não for possível oferecer a todos, ao menos a todos os responsáveis diretos pelas pastorais.
e) O rito de Desnudamento do altar, no final da celebração, deve constituir um gesto litúrgico visível e bem participado pela Comunidade: convidar alguns Leigos para que ajudem a fazê-lo.

I. Preparar

a) em lugar conveniente do presbitério:
- vaso(s) ou âmbula(s) com partículas consagrar para a comunhão do dia seguinte;
- véu de ombros;
- carvão, incenso;
- talha de barro ou turíbulo;
- tochas e velas.

b) no lugar onde se faz o lava-pés:
- assentos para as pessoas designadas;
- jarro com água e bacia;
- toalhas para enxugar os pés;
- toalha (ou gremial de linho) para o celebrante cingir a cintura;
- material necessário para se lavarem as mãos após o lava-pés.

c) na capela onde guarda o Santíssimo Sacramento:
- sacrário ou cofre para a reposição;
- luzes (velas, lamparina);
- flores e outros ornamentos adequados.

II. Pessoal e Serviços

- Pessoas designadas para o rito do lava-pés;
- Ministros que auxiliam o sacerdote, ou Representante, no lava-pés;
- Tocadores do sino (durante o canto do Glória, tocam-se os sinos, que permanecerão depois silenciosos até a Vigília Pascal);
- Arrumadeiras do lugar da reposição do Santíssimo Sacramento;
- Carregadores (acólitos) que levam os castiçais com as velas acesas;
- Carregador(a) da talha de barro ou do turíbulo;
- Transportadores das tochas ( ladeando o Santíssimo Sacramento);
- Desnudadoras do altar: o serviço da mesa deve ser feito logo em seguida da procissão com o Santíssimo Sacramento;
- Tiradores das cruzes da igreja (não sendo possível tirar as cruzes, é conveniente cobri-las).

Vivendo a Semana Santa I (Domingo de Ramos)


DOMINGO
DE RAMOS


1. Introdução

Em Jerusalém, tanto tempo atrás, Jesus entrava de modo triunfante, aclamado pelas multidões. Hoje, na mesma cidade, cristãos de todo o mundo fazem o mesmo percurso que Jesus fez, manifestando a fé e conservando a mesma fé, embora com um sofrimento muito grande, por causa das perseguições que lá ainda existem. Nós fazemos o mesmo gesto com a mesma fé. Santo André de Creta nos ensina: “Corramos, pois, com aquele que se dirige a Jerusalém para chegar logo à Paixão, e imitemos aqueles que foram ao seu encontro. Não vamos com ramos de árvores, mas para colocar debaixo de sua pessoa nossas próprias pessoas com um Espírito de humanidade e coração sincero, para ouvir sua palavra que vem a nós e dar lugar a Deus”.

A celebração de hoje tem dois momentos: Bênção dos ramos, com a procissão entusiasmada de louvor, e a Missa, onde retomamos o caminho da Quaresma na reflexão sobre a Morte e Ressurreição do Senhor. Os ramos são abençoados; e nós os levaremos para casa num sinal de compromisso com aquele que aclamamos.

A multidão, somando crianças e estrangeiros, aclama. Marca o momento da ruptura de Jesus com os aristocratas e com os chefes dos Judeus. Podemos ver que é o mesmo povo que receberá a intervenção de Pentecostes. São aqueles a quem foram revelados os segredos do reino (Lc 10,21). São os verdadeiros adoradores do Pai (Jo 4,23).

Jesus vem como o Messias predito pelo profeta Zacarias: manso, na montadura do povo, como Davi, indicando um projeto de reino da Justiça, do Amor e da Paz, tendo quebrado toda violência. Toda a natureza o acolhe: são os ramos de palmeira e oliveira. São crianças que, se forem caladas, falarão as pedras. Os ramos de palmeira significam a vitória de Cristo sobre a morte, pela ressurreição, e o sentido da vida. Os ramos de oliveira significam sua unção espiritual. É o Cristo, do qual nos vem toda a força, toda a vida.

Com todo o nosso ardor celebremos e clamemos, exultando com sua glória. Este amor nasce em nosso coração quando nós somos tão amados de Cristo. Não se trata de um ato do passado, de uma recordação. O hoje do mistério celebrado leva a reconhecer a divindade de Jesus. Somos chamados a compartilhar de sus paixão e ser instrumento para a redenção do mundo.

2. Bênção e Procissão

2.1. Bênção dos Ramos

A bênção dos ramos evoca a caminhada de Jesus à Jerusalém terrestre. Estimula-nos e convida a continuar a caminhada até a Jerusalém celeste, o céu.

2.2. Evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém

A narração da entrada de Jesus em Jerusalém mostra o gesto de Jesus, como o rei da paz, cuja vitória está na humildade que quebra as armas da violência. É também realização do Deuteronômio (Dt 18,15) que fala do profeta como Moisés. Assim temos as características de seu reino: simplicidade, acolhimento de todo tipo de pessoa. Mostra igualmente a vitória sobre sua dolorosa Paixão. Se houver a recusa pelos chefes que o crucificaram, já houve uma vitória, uma aceitação fundamental por parte do povo, os pobres de Javé, aqueles que cantam para Deus. Como o acolhe hoje o nosso povo? A glorificação por parte de muitíssimos do povo é já o anúncio de sua glorificação da cruz. É também sua gloriosa ressurreição, meta final de sua caminhada para Jerusalém. Os discípulos compreenderão mais tarde, à luz da ressurreição.

3. Procissão

Nós imitamos agora o gesto das multidões que acolheram Jesus como Bendito que vem em nome do Senhor. Entramos com ele na cidade, aclamamos e tendo nele as mais profundas esperanças. Com a mesma disposição façamos a caminhada para nossa cidade, firme manifestação de que temos uma opção: Jesus é o centro de nossa vida. Os ramos serão a lembrança do compromisso e deste encontro de hoje; nós os usaremos nos momentos de tempestades na vida, para nos dar segurança naquele que vem em nome do Senhor. Mais que uma recordação, é nossa caminhada com Cristo para sua entrega a Deus, ato central de nossa redenção.

4. A Missa

4.1. Oração

A celebração da Eucaristia começa com a oração da missa. A missa tem caráter de reflexão sobre a Paixão, mudando o festivo da procissão. É no acolhimento de sua palavra, de sua pessoa redentora que nos tornaremos participante de seu mistério. A oração da missa, lembrando o exemplo de humildade de Cristo demonstrada no seu sofrimento, conduz a comunidade a aprender de sua paixão para chegar à sua ressurreição.

4.2. Primeira Leitura (Is 50,4-7)

A leitura da Palavra traz o Cristo na sua Paixão. Ela não é só um sofrimento, mas uma escolha que o Filho de Deus fez, na sua encarnação, de chegar ao extremo de sua igualdade com as pessoas, para fazer a ressurreição de todos. A primeira leitura é o terceiro cântico do Servo de Javé. A liturgia identifica este servo com Jesus que, pelo sofrimento e humilhação (Arrancar a barba) e resistência, nos entende e ensina a aprender da dor e do sofrimento a aproximar-nos das pessoas e falar com elas.

4.3. Segunda Leitura (Fl 2,6-11)

O servo de Javé, Jesus, humilhou-se ao extremo sofrimento: morte de cruz. Sua aniquilação é sua exaltação. Somos convidados a Ter os mesmos sentimentos de Jesus: participar de sua morte para chegar à sua ressurreição. Este é seu Evangelho.

4.4. Evangelho (Paixão do Senhor)

Ano A: (Mt 26,14-27 ,66;27,11-54)
Jesus realiza sua paixão na total entrega ao Pai, na plena liberdade de seu Dom. é abandonado, traído, renegado. É o homem que morre pelo povo.

Ano B: (Mc 14,1-15,47; ou 15,1-39)
O sofrimento e a morte de Jesus levam a crer: este homem é Messias, Filho de Deus. A fé é completa quando passamos por Jesus na cruz para chegar à ressurreição com ele. Quando o véu do templo se rasga, podemos também entrar no santuário do novo relacionamento de Deus com seu povo.

Ano C: (Lc 22,14-23,56; ou 23,1-49)
A caminhada de Jesus desde a Galiléia chega aos seus passos finais com a proclamação do letreiro da cruz: este é o rei dos judeus! Fala também: lembra-te de mim quando estiveres no teu reino, diz o ladrão. E Jesus: hoje estarás comigo no paraíso. O centurião dá glória a Deus: este homem era justo.

Mensagem

Acolhamos a chegada de Cristo para implantar o reino de Deus em nós. Acolhamos sua Paixão. Agora, durante este tempo que nos separa de sua Ressurreição, estejamos firmes na palavra, seguros na sua cruz, procurando entender os caminhos que nos levam a segui-los perto para estar no momento mais alto da ressurreição.

5. Sugestões

a) Preparar as ruas com um tapete de folhas, por onde passará a procissão.
b) Um burrinho real pode se usado, colocando sobre ele alguma figura representando Jesus: pode ser uma criança, significando o inocente que será condenado; ou algum símbolo, como a figura de um cordeiro ou de uma Cruz.
c) A proclamação da Paixão deve ser bem preparada. Ser criativa para comunicar melhor.
d) Algumas sugestões:

• criar mais movimentos para a Assembléia, fazendo com que mudem mais vezes de posição: sentados (P. ex.: Ceia 26,14-29; Julgamento: 26,57-75;27,1-30), de pé (P. ex.: Agonia e prisão: 26,30-56; Caminho da Cruz: 27,31-50; Enterro: 27,55-66); ajoelhados (P. ex.: Morte: 27,51-54);
• usar projeção de slides ou cartazes com desenhos ou frases que destaquem os vários episódios da Paixão;
• entremear os vários episódios com cantos correspondentes cantados por todo o Povo;
• fazer a proclamação da Paixão ao longo de uma procissão, à semelhança de uma Via-Sacra, que poderia ser ao redor da própria igreja, ou então fazer com que o grupo de Leitores se movimente dentro da igreja;
• enquanto possível, durante a proclamação da Paixão, proporcionar às crianças um outro local onde possam Ter uma catequese apropriada sobre o Domingo de Ramos, através de Catequistas, usando vídeos, cantos teatrinhos etc. as crianças voltariam à igreja para a procissão das Oferendas.

6. Preparação

O documento conciliar Sacrosanctum Concilium (SC) e a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR), ao se referirem à atuação na liturgia, falam de serviço, função, parte, encargo, ministério, ministério particular, ofício (Cf. SC 11, 14, 19, 21, 26, 28;IGMR nn. 58-73.127-152).

Olhando para as celebrações litúrgicas da Semana Santa, devemos considerar como um serviço litúrgico as atividades, funções e papéis que ajudam na participação ativa e consciente da assembléia e na realização plena da celebração.

São atividades exercidas pelos fiéis, movidos pela fé. Não precisam do reconhecimento da comunidade. Devem ter certa consistência e estabilidade, vistas como necessárias à realização das ações litúrgicas.

Preparar:

1. Ramos;
2. carvão;
3. incenso;
4. talha de barro ou turíbulo;
5. água benta;
6. cruz processional;
7. mesa pequena;
8. paramentos vermelhos (capa ou casula para o sacerdote);
9. livro dos Evangelhos.

Pessoal e Serviços:

1. Apanhadores dos ramos (serviço que deve ser feito no dia anterior);
2. Preparadores(as) dos ramos (separar os molhos);
3. Ornamentadora da cruz processional (colocar na haste da cruz um ramo grande e bonito);
4. Ornamentadoras da Igreja ( enfeitar a igreja com muitos ramos, criando ambiente festivo);
5. Arrumadeiras da pequena mesa (preparar uma mesa, enfeitando-a para se colocarem os ramos, água benta, a toalha de barro ou o turíbulo e o incenso);
6. Distribuidores(as) dos ramos (distribuir logo após a bênção dos ramos e antes da proclamação do Evangelho);
7. Carregadores(as) das talhas de barro ou do turíbulo;
8. Carregador (acólito) da cruz processional;
9. Carregadores (acólitos) das velas ladeando a cruz processional;
10. Organizadores e animadores da procissão com os ramos bentos;
11. Leitores: o diácono ou, na falta dele, o sacerdote proclama o evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém. A história da Paixão que será lida na missa pode ser feita também por leigos(as).

quarta-feira, 10 de março de 2010

CELEBRAR A RETOMADA DO RUMO CERTO: EIS A QUESTÃO


Frei José Ariovaldo da Silva, OFM

1. O ser humano, “desnorteado”: chamado a retomar o rumo de Deus

De repente, o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus e vivendo num paraíso (cf. Gn cap. 1 e 2), se viu sem rumo, sem norte (“desnorteado”!), desequilibrado, muito inseguro, frágil e, ao mesmo tempo, prepotente, violento (e até mortalmente violento!), egoísta, dado à corrupção de todo tipo, sem serenidade na convivência social, muito confuso... É o que transparece já a partir das primeiras páginas a Sagrada Escritura (cf. Gn cap. 3, 4, 6, 7, 11, 19, 27,12ss etc.).

No meio dessa gente, sempre tem alguém que se salva, que se mantém no rumo de Deus. É o caso de Noé e sua família, com quem Deus chega a fazer aliança (cf. Gn cap. 9). É caso de Abraão que deixa sua terra para seguir o rumo de Deus, e Deus faz uma aliança também com ele (cf. Gn cap. 12 e 17). É o caso, depois, de inúmeros descendentes de Abraão que, no meio de dificuldades e contratempos, se esforçam por se deixar conduzir pelo Senhor. Deus, para eles, vai sendo percebido e assumido como o rumo certo de uma vida realizada e feliz. E Deus os acolhe amorosamente.

Lendo as páginas da Bíblia, vemos como Deus vai se revelando como o verdadeiro rumo para o ser humano. Mostrou-o quando, “ouvindo o clamor do povo” (cf. Ex 3,7-10), operou através do seu servo Moisés a libertação da escravidão do Egito (cf. Ex cap. 12 a 15). Mostrou-o, sustentando o povo na caminhada pelo deserto (cf. Ex 15,22-18,27). Mostrou-o, por ocasião da aliança do Sinai (cf. Ex 19 e 20), inclusive prometendo: “Se vocês realmente ouvirem minha voz e guardarem a minha aliança, serão minha propriedade exclusiva dentre todos os povos. De fato, é minha toda a terra, mas vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa” (cf. Ex 19,3-6). Mostrou-o, quando amorosamente acolhia de volta o povo que, eventualmente, resolvia tomar outro rumo e depois se arrependia. E assim por diante...

Sobretudo através dos sábios e profetas, Deus continuou se mostrando, insistente e repetidamente, como sendo o rumo mais certo para o futuro mais certo. E sempre pronto a acolher amorosamente quem se “desnorteou”. Por isso, exclama o salmista: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor!... Ele perdoa tuas culpas todas, e cura todas as tuas enfermidades. Ele resgata do fosso tua vida e te coroa de misericórdia e compaixão... O Senhor é compassivo e clemente, lento para a cólera e rico em misericórdia” (Sl 103,1.3-4.8).

Na voz dos profetas vemos constantemente o apelo: Quem tomou outro rumo, volte para o rumo de Deus, pois ele não rejeita ninguém. E quem está no rumo de Deus, não tome outro rumo. A experiência mostra que não vale a pena enveredar por outro. Amor, bondade, perdão, justiça, misericórdia, solidariedade, são algumas características do rumo de Deus. E Deus ainda vai dar a prova final (quando vier o Messias) de que o seu é o rumo mais certo.

2. Peguem o rumo de Deus, porque o seu Reino está próximo!

Assim, aproximando-se o ponto alto da história da salvação de Deus, aparece o profeta João Batista, pregando sobre Deus lá no deserto. E avisava: “Convertam-se porque está próximo o reino dos céus” (cf. Mt 3,1-12; Mc 1,1-8; Lc 3,1-20; Jo 1,19-28). Em outras palavras: Mudem de rumo! Peguem o rumo de Deus, porque a expressão máxima deste rumo está muito próxima de nós: o Messias!

Muita gente, sobretudo o povo mais humilde, passou a acreditar naquilo que João ensinava e, realmente, enveredava pelo rumo de Deus, procurando viver uma vida de solidariedade, honestidade e respeito para com as pessoas. E para simbolizar esta mudança de rumo (entrando – mergulhando – “de cabeça” no rumo apontado pelo profeta) com o conseqüente perdão dos pecados, as pessoas eram batizadas (isto é, mergulhadas) nas águas do rio Jordão. João, no entanto, alertava: Atenção, pessoal! Eu não sou o Messias, não. Eu mergulho vocês na água. Mas, aquele que vem depois de mim, muito mais forte do que eu, este vai mergulhar (batizar) vocês no Espírito Santo. Em outras palavras, ele vai mergulhar vocês “de cabeça” para dentro do sentido máximo do rumo de Deus, que é o próprio Espírito de Deus que nos acolhe e nos perdoa.

Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:
1. Olhando para a Bíblia, em que momentos as pessoas se desviaram do “rumo” proposto por Deus?
2. Qual a atitude de Deus Pai diante dos erros da humanidade?
3. E hoje? Quando e como nós nos desviamos do rumo?

3. Jesus e sua páscoa: revelação e presença vitoriosa do rumo reconciliador de Deus

Vimos no artigo anterior que João Batista pedindo a conversão e batizando. E não há de ver que o próprio Jesus, solidarizando-se com todo aquele povo, se faz batizar nas águas do Jordão, (cf. Mt 3,13-17; Mc 1,9-11; Lc 3,21-22; Jo 1,29-34)! E o que acontece? Aquele mergulho simbólico nas águas nos fala de Jesus como alguém nítida e totalmente mergulhado no Espírito de Deus. Tão mergulhado está, que nele não podemos ver outro senão o próprio Filho de Deus, o verdadeiro “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Já no início de sua missão, o próprio Jesus anuncia: “Completaram-se os tempos, está próximo o reino de Deus, convertam-se e creiam no Evangelho”.

E como aparece, na prática, que Jesus é o próprio Filho de Deus e, portanto, a expressão máxima do rumo de Deus? Pela sua radical solidariedade com o ser humano. Pela sua encarnação, vida, ações, palavras, sofrimento, morte, ressurreição e dom do Espírito, nós o vemos mergulhado “de cabeça” no abismo da nossa condição humana cheia de anjos e demônios, para nos libertar do pecado e da morte e nos reconciliar com Deus. Assim sendo, ele é o próprio rumo de Deus que nos liberta para a plena realização do ser humano: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (cf. Jo 14,1-14).

Aos que acreditam nesse Jesus e o assumem como o rumo mais certo, ele os perdoa e os cura, pois, sendo Filho de Deus, tem poder para isso (cf. Mc 2,1-12; 2,13-17; Lc 7,36-50; Jo 8,3-11). A Zaqueu ele anuncia: “Hoje a salvação entrou em sua casa”. É que Zaqueu, “chefe dos publicanos e rico”, considerado um “pecador”, vendo Jesus e acolhendo-o “com alegria” em sua casa, resolveu pegar o rumo de Deus, com a promessa de reparar os danos causados aos outros (cf. Lc 19,1-10). A parábola do Filho Pródigo representa bem a história de quem (podemos pensar no ouvinte da Palavra), ao perceber-se de repente “desnorteado” e “sem rumo”, retoma o rumo da casa do Pai e se vê amorosa e festivamente acolhido pelo Pai (cf. Lc 15,11-32).

A páscoa de Jesus (paixão, morte, ressurreição, ascensão e dom do Espírito) é a prova mais nítida e contundente da certeza do rumo reconciliador de Deus. Prova esta que foi transmitida aos apóstolos no dia da páscoa, para que a passassem adiante. Foi quando o ressuscitado soprou sobre eles dizendo: “Recebam o Espírito Santo. Se vocês perdoarem os pecados dos homens, serão perdoados. Se não lhes perdoarem, não serão perdoados” (Jo 20,22-23). E Pedro (após a “explosão do Espírito Santo” na festa de Pentecostes), depois daquele longo discurso falando da ressurreição de Cristo (cf. At 2,1-36), dá uma significativa resposta ao povo que indagava sobre o que então devia ser feito: “Arrependam-se e cada um de vocês seja batizado no nome de Jesus para a remissão dos pecados e vocês receberão o Espírito Santo” (At 2,38). Em outras palavras: Convertam-se, isto é, mudem de rumo; enveredem pelo novo rumo que definitivamente se instaurou pela páscoa, o do Reino de Deus. E como símbolo desta decisão de vocês, pelo qual vocês também são perdoados e admitidos no Reino, sejam batizados (mergulhados na água) em nome de Jesus Cristo.

Foi o que aconteceu, daí para frente. Como símbolo da conversão e entrada no rumo de Deus, e o conseqüente perdão dado por Deus por força da Páscoa, a pessoa era mergulhada na água. Inclusive, para que a decisão pudesse ser a mais madura possível, logo foi se instituindo nas comunidades cristãs um tempo de intenso exercício de conversão e acolhida do dom de Deus (período de catecumenato) antes de a pessoa assumir o rumo de Cristo dentro da comunidade eclesial.

Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:
1. Por que Jesus quis ser batizado?
2. Qual a atitude de Jesus para com os pecadores? O que mais lhe chama a atenção?
3. O que a realidade da Páscoa de Jesus, sua morte e ressurreição, tem a ver com a nossa reconcição?

Fonte: Liturgia em Mutirão III - CNBB
http://www.cnbb.org.br/site/component/docman/cat_view/236-liturgia-em-mutirao-iii

O SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO

Frei Faustino Paludo, OFMCap

1. O Sacramento da conversão

A reconciliação é uma meta. As pessoas buscam incansavelmente a paz. Mas, para alcançá-la, é necessário um penoso caminho de conversão, de mudanças e de transformações. A verdadeira reconciliação começa no coração de cada pessoa. Isto é, o convite à conversão exige uma mudança de rumo. Contudo, o processo de mudança não afeta exclusivamente o indivíduo, mas tende a expandir-se aos demais – à comunidade e à sociedade.

No processo de conversão atuam diversos fatores: a) a consciência que quer dar um fim ao que está errado ou ao que desvia do rumo certo; b) a necessidade de se corrigir e reorganizar a vida em vista de um novo sentido e de uma nova prática; c) o pressuposto de que Deus está na origem da vida do ser humano e de que o amor misericordioso de Deus é quem dá sentido à existência humana. Converter-se é voltar o coração para Deus (cf Lc 15). É deixar-se reconciliar por Ele (2Cor 5,20) É inserir-se na dinâmica da Aliança. É participar do amor de Deus e ser testemunha da santidade de Deus na comunidade eclesial e no meio em que vive. Converter-se significa abandonar a antiga situação e abrir-se para a nova realidade de vida.

Já no Antigo Testamento Vemos o próprio Deus – por intermédio de seus profetas e mensageiros – convidando o povo à conversão (Sl 4,3; Sl 94,8; Is 44,22; Jr 18,11; Os 6,1). A conversão significa retorno ao Senhor, e, consequentemente, a renúncia ao mal, mudando o próprio modo de viver. O Salmo 51/50 oferece uma síntese da conversão e da misericórdia de Deus. A conversão se traduz em inúmeras práticas penitenciais.
A pregação de Jesus está centralizada no anúncio da conversão (metanóia), da penitência, como única via de ingresso e participação no reino de Deus e como única via de salvação. Não é por acaso que Jesus inicia seu ministério público convidando ao arrependimento: “Convertei-vos porque o reino de Deus chegou” (Mt 4,17; Mc 1,15). É um apelo que reflete a necessidade de colocar-se na dinâmica de quem acolhe a boa nova de salvação. A conversão é o movimento que, por um lado, significa abandonar o “velho homem” e, por outro, revestir-se do “novo” (Rm 6,6; Cl 3,9-10). Converter-se é tornar-se novo na opção de vida pela verdade e a autenticidade. Mais do que uma ação isolada, a mudança sugere a imagem “do caminho”. Isto é, algo dinâmico, que precisa ser feito, construído segundo os critérios apontados pela Palavra de Deus. “O caminho se faz caminhando”.

Notemos que a conversão é dom e graça de Deus. Mas também requer exercício e empenho no sentido de responder fielmente às exigências do Espírito e à identificação com Jesus Cristo, para o louvor e a gloria de Deus Pai. Neste prisma, o sacramento da Penitência celebra o encontro do filho pecador com o amor misericordioso do Pai. Encontro que renova a vida batismal ferida pelo pecado. Encontro que faz crescer no seguimento de Cristo e do seu Espírito. A conversão sincera é o pressuposto necessário para uma autêntica celebração do sacramento da Penitência.

Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:
1. A reconciliação é uma meta a ser alcançada. O que fazer para atingi-la?
2. O que exige uma verdadeira conversão?
3. Qual é o pressuposto básico da celebração da Penitência?
4. Vamos rezar o Salmo 51(51) com os passos da leitura orante?

2. Sacramento da reconciliação

Muitos se perguntam, hoje, pelo significado do sacramento da reconciliação no horizonte de uma sociedade onde a convivência harmônica e pacífica está se deteriorando face ao crescimento da violência, onde a vida e a dignidade das pessoas são ameaçadas.

Ora, o sacramento da Penitência está justamente enraizado na condição humana e na complexa realidade da convivência social. As pessoas ao mesmo tempo que aspiram viver em paz, reconciliadas consigo e com os semelhantes, experimentam a amargura das tensões e dos conflitos. Sentem-se contrariadas frente às adversidades e às rupturas. Em meio às contradições e frustrações, a reação imediata é o isolamento. De fato, quem se dedica ao ministério da Reconciliação, constata que há “muita solidão”! Pessoas que desejam avidamente ser ouvidas em seus desabafos. Contudo, da experiência do sentir-se só e ferido, ecoa o grito pela busca de uma nova realidade, da mudança de vida. É preciso mudar! Ninguém, em sã consciência, consegue viver só e em meio a conflitos e transgressões por muito tempo. “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai” (Lc 15,18)!

O Sacramento da Penitência e da Reconciliação é a festa do reencontro e do amor misericordioso do Pai. É a celebração do perdão e da esperança. O pedido de perdão resgata o sentimento confiante e possibilita a abertura de novos horizontes de relações reconciliadas. O pedir perdão encerra um dinamismo humano muito maior que a simples oração interior, pois insere o ser humano na dinâmica da relação comunitária. “Pai pequei contra Deus e contra ti, já não mereço que me chamem teu filho” (cf Lc 15,21).

Mas, o “pedir perdão” requer a disponibilidade de alguém que se faça “todo escuta”, isto é, acolha com benevolência, ouça atenciosamente, permitindo à pessoa abrir seu coração. Saber ouvir é atitude que brota da bem-aventurança da misericórdia e, do reconhecimento da grandeza da pessoa do outro, apesar de seus limites (cf Jo 8,10-11). Nesta hora, a interlocução (o diálogo) reveste-se de significativa importância. Quem pede perdão, também espera ouvir uma palavra reconciliadora, ou seja, uma palavra que lhe dê a certeza do perdão e da paz. O perdão faz brilhar os olhos e exultar o coração ante as palavras: “irmão (a) tu estás perdoado (a)! Tu és amado (a) por Deus e liberto (a) em Jesus Cristo pela força de seu Espírito. Vai e viva em paz com todos!”
O sacramento da Reconciliação é a celebração do amor incondicional de Deus que se traduz em dom de perdão e de paz. No Sacramento da Penitência, os fiéis “obtêm da misericórdia divina o perdão da ofensa a Deus, e ao mesmo tempo são reconciliados com a Igreja que eles feriram pelo pecado e que colabora para sua conversão com a caridade, o exemplo e as orações” (RP. Introdução. 4). O importante é resgatar a comunhão com Deus e com a Igreja, olhando igualmente para a grande reconciliação com o universo, em vista da cultura de reconciliados (cf. Conclusões do Seminário sobre Reconciliação, publicado no Subsídio Deixai-vos Reconciliar, Estudos da CNBB 96, Brasília, Edições CNBB, 2008).

Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:
1. Como as pessoas reagem e convivem em meio à violência e aos conflitos sociais?
2. Quando você percebe que machucou alguém, como você reage? O que você faz?
3. Nos momentos difíceis de sua vida, o que você mais deseja? O que você busca?
4. Muita gente sente a necessidade de celebrar o sacramento. Você sabe como, onde, quando e com quem celebrá-lo?

3. A celebração do Sacramento da Reconciliação ao longo da história

A Tradição da Igreja afirma que “Cristo instituiu o sacramento da Penitência para todos os membros pecadores de sua Igreja, antes de tudo para aqueles que, depois do batismo, cometeram pecado grave e com isso perderam a graça batismal e feriram a comunhão eclesial” (Catecismo, 1446). Jesus edificou sua tenda entre nós (Jo 1, 14) para revelar o amor misericordioso do Pai e reconciliar a humanidade com Ele. Iniciou sua pregação conclamando à penitência: “fazei penitência e crede na Boa Nova” (Mc 1,15). Acolheu os pecadores, reconciliando-os com o Pai (Lc 5, 20; 7,48) e por fim, derramou seu sangue na cruz para o perdão dos pecados (Mt 26,28). Ao ressuscitar dentre os mortos, enviou o Espírito Santo sobre os seus discípulos concedendo-lhes o poder de perdoar os pecados (Jo 20, 19-23) e os enviou para pregar a penitência e o perdão dos pecados (Lc 24,47). Portanto, o sacramento da Penitência se enraíza na vida e na prática de Jesus.

A pregação vibrante da Boa Nova de Jesus pelos apóstolos fez com que a multidão clamasse: “irmãos, o que devemos fazer?”. Ao que Pedro responde: “arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados” (At 2, 38). O batismo é o sacramento da primeira e fundamental conversão. O sacramento da Penitência representa a segunda conversão. “Salvos pelas águas do Batismo, nosso louvor se enfraqueceu pelo pecado que cometemos, mas o Sacramento da Reconciliação nos convida à penitência, nos renova na santidade” (cf Prefácio da Penitência, Missal Romano). Os Padres da Igreja consideravam a Reconciliação um “batismo laborioso” (cf. Sacramentum Caritatis, n. 20).

O processo histórico do sacramento da Penitência passou por diferentes etapas no seu desenvolvimento ao longo dos séculos. Destacaram-se três etapas: a) uma penitência longa e rígida para quem tivesse cometido os pecados graves do adultério, da apostasia e do homicídio após o batismo. Os pecadores eram afastados da comunidade e acompanhados pela oração da mesma, enquanto cumpriam longas penitências. Após demonstrarem arrependimento pelos pecados cometidos, eram reconciliados e readmitidos na comunidade e na participação eucarística. Tal penitência só podia realizaR-se uma vez na vida. Suas exigências tinham por finalidade a conversão. b) a rígida penitência pública e canônica, aos poucos, foi sendo substituída pela confissão privada e comutativa. Trata-se de uma prática dos monges da Irlanda introduzida no Continente Europeu. Os pecadores confessavam seus pecados ao bispo ou ao padre, sempre que recaíssem no pecado. Recebiam longas e pesadas penitências e somente depois de cumpridas é que recebiam a absolvição. As exigentes penitências podiam ser comutadas, isto é, substituídas por outras mais brandas, como a recitação dos salmos, peregrinações, doações etc. c) por fim, a Igreja adotou a confissão auricular. A confissão dos pecados, tanto graves como leves, era feita ao sacerdote no segredo do confessionário. O pecador declarava seus pecados, recebia uma palavra do confessor, era imediatamente absolvido e enviado ao cumprimento da penitência.

As diferentes etapas que caracterizaram o processo histórico do Sacramento da Penitência sublinham a atenção da Igreja para com seus membros pecadores que, arrependidos, desejam ardentemente retornar à comunhão com Deus e com os irmãos. Assim chegamos ao Concilio Vaticano II que pede: “o rito e as fórmulas da Penitência sejam revistos de tal forma que exprimam mais claramente a natureza e o efeito deste Sacramento” (SC 72).

Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:
1. Por que ainda hoje se fala “no sacramento da confissão”?
2. Buscando o sacramento da Penitência e da Reconciliação, o que mais as pessoas deveriam buscar e celebrar?
3. Como entender que Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Penitência e Reconciliação?
4. Ler o Evangelho de João 20, 19-23.

4. A renovação do Sacramento da Reconciliação

O Concilio Vaticano II manifestou ao mundo a vontade da Igreja de se aproximar das pessoas humanas, inteirar-se de suas “alegrias e esperanças, tristezas e angústias” (Gaudium et Spes, 1) para auxiliá-las na compreensão de si mesmas, em especial, de suas tensões e conflitos. A ação mais eficaz que a Igreja pode empreender em vista da reconciliação e da unidade entre as pessoas, consiste em “buscar sem cessar a penitência e a renovação” (Ritual da Penitência (RP), n. 3). Nesta perspectiva, o Vaticano II definiu: “o rito e as fórmulas da Penitência sejam revistos de tal modo que expressem mais claramente a natureza e o efeito do Sacramento (Sacrosanctum Concilium, 72).

À luz da definição Conciliar e da caminhada pós-conciliar, o sacramento passou a ser compreendido como ação litúrgica, memorial do mistério pascal de Jesus Cristo, expressão máxima da misericórdia do Pai que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo, pacificando tanto as coisas da terra como as do céu. Esta nova realidade de vida é obra do Espírito Santo que move os pecadores a se aproximarem do sacramento da reconciliação (cf RP, introdução, n. 6). A reconciliação é ação da Igreja que valoriza a pessoa e sua situação, os atos do pecador arrependido, a participação comunitária, a ação do ministro. Particular ênfase é dada à Palavra de Deus, à acolhida, à escuta e ao diálogo benevolente com o penitente, à absolvição com o gesto da imposição das mãos, à oração ou gesto de contrição e à ação de graças. Tudo para sublinhar a dinâmica da conversão, numa maior integração entre a vida penitencial e celebração da reconciliação.

O Ritual da Penitência apresenta três formas distintas de celebração: a) Rito para a reconciliação individual dos penitentes; b) Rito para a reconciliação de vários penitentes com confissão e a absolvição individuais; c) Rito para reconciliação de vários penitentes com confissão e absolvição gerais. Por fim, apresenta ainda uma série de Celebrações Penitenciais não sacramentais. Cada uma dessas formas tem seu valor. A Reconciliação individual, através do diálogo personalizado com o penitente, tem a possibilidade de considerar melhor a caminhada de fé, o engajamento comunitário e social, as necessidades e situações concretas do penitente, estimulando-o à conversão, além de favorecer ao ministro o desempenho de sua função como sacerdote, pastor, médico e guia. A Reconciliação de vários penitentes (celebração comunitária) expressa o sentido eclesial e comunitário do sacramento. Esta segunda forma, favorece a participação, a acolhida, a proclamação e a escuta da Palavra, o exame de consciência, a oração comum e a ação de graças. Esta forma destaca o valor da mediação da Igreja na graça da reconciliação. A Reconciliação com confissão e absolvição geral é reservada para necessidades e situações especiais (cf Código de Direito Canônico, cân 961).

O Ritual recomenda, no que se refere às formas individual e comunitária, que a utilização sistemática de uma não obscureça os valores da outra. A utilização das diversas formas, de acordo com o espírito do Ritual e com prudentes critérios pastorais, poderá servir para um maior aprofundamento na graça da reconciliação e evitará que se caia em práticas rotineiras. Todavia, a prática sacramental da penitência requer um planejamento pastoral que organize e articule sua celebração com critérios amplos e realistas, tendo presente o significado dos tempos litúrgicos e o ritmo espiritual da comunidade cristã.

Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:
1. Que motivos levam as pessoas buscarem o sacramento da Penitência? Ou o que afasta as pessoas do sacramento?
2. Quais são as formas rituais do sacramento e qual você mais procura? Por quê?
3. Como celebramos este Sacramento em nossa comunidade?

5. Sacramento enriquecido pela Palavra de Deus

“A palavra de Deus ilumina o fiel para o reconhecimento de seus pecados, chama-o à conversão e leva-o a confiar na misericórdia divina” (RP, n. 17). O atual Ritual da Penitência e Reconciliação recupera o espaço e a função da Palavra de Deus em vista da sincera conversão.

O Lecionário do Ritual foi enriquecido com inúmeros textos Bíblicos (numa média de 80 textos). Além das leituras previstas no Ritual, “podem-se, selecionar outras, segundo a necessidade e a condição das assembléias” (cf RP. P. 80).

Alguém poderia pensar que a proclamação da Palavra de Deus só seria possível na reconciliação de vários penitentes (celebração comunitária). Não! O Rito para a “reconciliação individual dos penitentes”, recomenda: “o sacerdote, se julgar oportuno, lê ou diz de cor algum texto da Sagrada Escritura que proclame a misericórdia de Deus e exorte a pessoa à conversão” (RP, n. 43). O fato da Palavra de Deus ser recomendada no rito da “reconciliação individual” realça ainda mais sua proclamação na celebração comunitária. “Convém que o sacramento da penitência comece com a escuta da palavra, pela qual Deus chama à penitência e conduz à verdadeira conversão interior” (RP 24).

Por que esse lugar privilegiado para a Palavra de Deus? O chamado à conversão feito outrora por Jesus, hoje, ressoa na Igreja. “Desde então, a Igreja jamais deixou de convidar os homens à conversão e a manifestarem a vitória de Cristo sobre o pecado pela celebração da penitência” (RP, 1).

A Palavra de Deus além de iluminar a vida, o senso de pecado e o exame de consciência, renova também a compreensão e a prática do sacramento da Reconciliação. Pois, ao mesmo tempo que questiona, restabelece a relação do Pai com o pecador arrependido. Reconcilia-o consigo mesmo e com a comunidade dos irmãos. Insere-o num novo projeto de vida marcado por relações reconciliadas e reconciliadoras.

À luz da Palavra, o encontro pessoal com Deus transformará a celebração penitencial numa proclamação de fé, numa confissão dos pecados e numa manifestação de alegria pela paz recebida. “Depois de receber o perdão dos pecados, o penitente proclama a misericórdia de Deus e lhe rende graças em breve aclamação da Sagrada Escritura” (RP 20; 29). Quando celebramos a Penitência e a Reconciliação, geralmente escolhemos textos que falem direta e explicitamente do perdão. Tudo bem, mas o Ritual sugere também outros textos que ajudam a questionar e rever toda a nossa vida cristã, nossas opções, nossos valores. Por exemplo, temos no Lecionário do Ritual o texto das Bem-Aventuranças, da Profissão de fé de Pedro, etc.

A valorização da Palavra de Deus na celebração deste sacramento, poderá se transformar num elemento fundamental para a renovação do modo de se entender o pecado, o exame de consciência, a declaração dos pecados e sua relação com a vida dos cristãos. Mais rico, mais profundo e mais sincero será o caminho de quem se deixa interpelar pessoalmente pela Palavra do Deus vivo que, na sua misericórdia, chama à conversão e à relação filial e comunitária.

Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:
1. O que motivou o Concílio Vaticano II valorizar a Palavra de Deus no Sacramento da Penitência?
2. Na perspectiva do Sacramento da Penitência, que apelos a Palavra de Deus nos faz?
3. Vamos escolher um dos textos bíblicos que o Ritual nos propõe e fazer juntos a leitura orante?

6. Os atos do penitente

Muitas pessoas se perguntam: “o que é necessário para uma boa celebração do sacramento da Reconciliação”? Entre os diferentes aspectos valorizados pelo Concílio, o Ritual da Penitência sublinha os atos da pessoa do penitente, ou seja, a contrição, a confissão e a satisfação (cf. RP n. 6).

Entre os atos do penitente apontados pelo Ritual, a contrição ocupa o primeiro lugar. Trata-se da dor e do arrependimento pelo pecado cometido. O arrependimento é o ato mais profundamente humano que reconstrói aquilo que o pecado destrói. O pecador, movido pelo Espírito Santo (cf RP. n. 6), toma consciência de seu pecado, experimenta a dor pela ofensa cometida e se põe a caminho em busca do perdão (cf RP n. 6). A parábola do Pai e dos Dois Filhos nos revela que o dinamismo que impulsiona à busca de vida nova não está no pecado em si, mas na percepção da graça de Deus. “Na casa do meu pai ...” (cf Lc 15, 17s). Nesta hora, o ser humano pecador não se sente só com sua culpa, mas experimenta a presença de alguém, que embora distante, o espera. A consciência do pecado, longe de afastar a pessoa humana de Deus, aproxima-se dele e a ajuda a descobrir melhor seu amor e sua graça.

No ato da confissão, o arrependimento interior é revelado pela manifestação dos pecados. Confessar os pecados com arrependimento é uma expressão humana e faz parte das exigências da reconciliação. Revelando ao confessor seus pecados, o penitente se insere na dinâmica comunitária da ação penitencial da Igreja que acolhe e perdoa o pecador sinceramente arrependido. Santo Agostinho via na confissão dos pecados a atitude da humildade do pecador arrependido e do louvor ao Deus da misericórdia. A confissão sincera dos pecados se traduz na manifestação da dor que requer acolhida, grito que faz ecoar o desejo de paz, reconciliação e comunhão com Deus e com os irmãos.

A conversão se completa pela satisfação das culpas (comumente chamada de “penitência”), pela mudança de vida e pela reparação dos danos causados (cf RP, n. 6). A ofensa impõe uma ação visível de reparação, uma prática nova de vida. As obras da satisfação “devem se constituir em ações de culto, caridade, misericórdia e reparação” (João Paulo II). Contudo, o perdão que Deus concede ao pecador é gratuito, não depende da satisfação, mas da sinceridade da conversão. O Ritual da penitência exalta o sentido da satisfação afirmando que ela repara e cura o que o pecado destrói e estraga, remedeia os efeitos do pecado e serve para renovar a vida. A satisfação se constitui num sinal externo do começo ou da retomada da vida nova, sobretudo pela prática do amor ao próximo.

Estes atos do penitente expressam e simbolizam a conversão. Embora distintos, um supõe e remete ao outro. Na perspectiva da fé, juntos devem manifestar a sincera e a profunda rejeição daquilo que gera o pecado. São atos que revelam a assimilação da boa nova: “convertam-se e acreditem no Evangelho” (Mc 1,15).

Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:
1. O que uma pessoa deve fazer ao desejar celebrar uma boa confissão?
2. Qual é significado de cada um dos atos do penitente?
3. Por que os diferentes atos do penitente não são independentes, mas um supõe outro?

7. O ministério da Reconciliação

Só Deus perdoa os pecados (cf Mc 2,7). Não é o padre! a obra da reconciliação, revelada por Jesus Cristo, confiada aos apóstolos e confirmada pelo Espírito Santo, é iniciativa do Pai. Ele é o “único que pode perdoar os pecados” (RP n. 8). “É Deus quem reconcilia com ele o mundo por meio de Cristo” (2Cor 5,19). São Paulo exorta: “em nome de Cristo, suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5, 20). Deus é a fonte da graça reconciliadora e do ministério da reconciliação. A Igreja, como povo de Deus, é instrumento da conversão e do perdão. Impulsionada pelo Espírito Santo, ela age de diversos modos no exercício da obra da reconciliação que Deus lhe confiou. Chama à conversão pela pregação da Palavra, intercede em favor dos pecadores, ajuda aos penitentes a fim de que reconheçam e confessem suas faltas e, assim, obtenham a misericórdia de Deus (cf. RP n. 8).

A Igreja exerce o ministério do sacramento da Penitência por meio dos bispos e dos presbíteros. Contudo, os ministros do sacramento da Penitência e da Reconciliação, em virtude do sacramento da Ordem, acolhem os penitentes e perdoam seus pecados “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (RP n. 9). Eles não são proprietários, mas servos do perdão de Deus, agindo em nome e segundo a caridade de Cristo. O ministro age sempre em nome de Jesus Cristo, o Bom Pastor e da Igreja, comunidade orante e acolhedora. Através do ministro, Jesus Cristo se encontra com o pecador arrependido e lhe comunica: “a paz esteja contigo”! Libertando-o do pecado, enche-o de luz e de alegria. Deus Pai acolhe e comunica ao penitente seu amor misericordioso. Santo Afonso afirmava que a ação primordial do ministro consistia em “tornar-se imagem do Pai celeste”. Mais do que um inquisidor, o ministro da Reconciliação, é um irmão entre os irmãos, que acolhe com gentileza, escuta com afeição, orienta com firme sabedoria e, animado pela compaixão de Cristo, proclama com largueza a Boa-Nova do perdão.

Ao ministro do sacramento da Penitência, o Ritual recomenda: acolha com benevolência e saúde amavelmente o penitente que se aproxima para confessar seus pecados; faça o sinal-da-cruz juntamente com o penitente; exorte o penitente à confiança na misericórdia de Deus; leia um texto da Sagrada Escritura que proclame a misericórdia de Deus e a conversão; ajude o penitente, se necessário, a fazer a confissão íntegra; oriente à contrição de suas culpas, recordando-lhe que ele, pelo sacramento da penitência, morrendo e ressuscitando com Cristo, renova-se no mistério pascal; sugira ao penitente, segundo a sua condição, a penitência para a satisfação do pecado e renovação de sua vida; solicite que manifeste sua contrição; proclame a absolvição, com as mãos estendidas sobre a cabeça do penitente; louve a Deus por sua misericórdia; despeça o penitente animando-o a viver em paz (cf RP nn. 41-47);

Do ministro da Penitência, além de esmerada preparação teológica e equilíbrio afetivo, requer-se comprovada consciência e experiência das realidades humanas. Ele deve primar pelo respeito e delicadeza, pelo amor à verdade e fidelidade às orientações da Igreja, para conduzir o penitente no rumo do encontro reconciliador com Deus e com a Igreja.
Seria oportuno aqui, recordar uma parte da prece de ordenação presbiteral, onde o Bispo reza sobre o ordenando: “que ele esteja sempre unido a nós, Senhor, para implorar a vossa misericórdia em favor do povo a ele confiado e em favor de todo o mundo”.

Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:
1. Como você entende o ministério do confessor? Que dúvidas você tem?
2. E que experiências significativas este ministério já lhe proporcionou em sua vida?
3. Sugerimos estudar este artigo juntamente com o padre de sua comunidade e dialogar com ele sobre este ministério.

Fonte: Liturgia em Mutirão III - CNBB
http://www.cnbb.org.br/site/component/docman/cat_view/236-liturgia-em-mutirao-iii

quarta-feira, 3 de março de 2010


Olá pessoal! Achei esse texto fantástico e reflete o que infelizmente também vem acontecendo no meio católico. Leiam! Muito interessante! Pe. Cristiano Marmelo


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Idolatria Gospel: Um show de horrores


Qualquer cristão que tem o mínimo de conhecimento bíblico entende que Deus odeia a idolatria. Em 1 Coríntios 6:9 Deus alerta que os idólatras não herdarão o Reino dos céus. Em outra parte das escrituras lemos: “Não terás outros deuses diante de mim”. (Êxodo 20:3). Podemos ficar horas e horas citando trechos bíblicos acerca da mesma verdade: Deus quer estar em primeiro lugar de nossas vidas. Aqueles que querem ser verdadeiros adoradores deverão ter olhos para um só Deus. Isto é uma verdade inquestionável.

Também é verdade que a Igreja precisa ter modelos, precisa ter exemplos de vida com Deus, exemplos em todas as áreas de liderança, pastoral, nas artes, missões etc. A estas pessoas chamamos de referenciais. Paulo era um referencial de sua época: “Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam”. (Filipenses 3:17). Precisamos ter líderes que nos dirijam, que nos abençoem, que nos ajudem a chegar aos níveis já alcançados por eles, que nos dêem um norte em Deus.

Referenciais têm um enorme poder de influência sobre as pessoas como um todo. É por isso que quando algum destes referenciais cai em pecado, muitas pessoas caem em desilusão e os mais fracos tendem a abandonar a fé. Em geral, o povo é abalado quando um líder ou um referencial de grande influência comete falhas em público. E quanto maior a “bomba”, maior é o estrago. A Bíblia alerta: “Não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado...” (2 Coríntios 6:3).

Um erro grandioso que a Igreja de hoje tem cometido e sofrido sérias conseqüências é o pecado da idolatria. E fazemos isso dando uma série de boas desculpas esfarrapadas. Por exemplo, quando quero idolatrar meu cantor gospel preferido, exaltando-o sobre as alturas, falo às pessoas que ele é um grande homem de Deus, um referencial para mim. Aí faço desta pessoa meu ídolo, tendo em casa um altar para ele, com todos os seus CDS e livros, com todos os seus artigos escritos, com uma foto autografada, uma camisa do fã-clube e outros apetrechos que farão parte do meu devocional a este ídolo. Assim a pessoa acaba se tornando um idólatra, tornado seu próprio irmão na fé num deus. Atenção: Adorar também significa “devotar a vida”.

Não há outras palavras para se dizer uma verdade dura que já está sendo ecoada no Brasil: a Igreja brasileira fez de seus referenciais grandes ídolos como o bezerro de ouro erguido pelo povo de Israel no deserto (Êxodo 32:4). Isto nós fizemos e por isso estamos pagando um preço tão caro. A Lei da Semeadura está valendo ainda hoje. A Igreja plantou idolatria, vai colher coisa ruim, maldição, destruição. Disto não duvidamos.

A Idolatria Evangélica Gospel Brasileira permitiu este show de horrores:

• Ídolos gospel que não “ministram” por menos de 15, 20, 30 mil reais.
• Ídolos gospel que decidiram por loucura própria fazer uma lista de exigências que nem Jesus, Paulo ou João fizeram quando exerciam seu ministério: hotéis 5 estrelas, frutas tropicais, água mineral de marcas específicas, dezenas de seguranças, carro blindado... e outras coisas que não vou pôr aqui pois não vão acreditar em mim.
• Ídolos gospel que são indiferentes e preconceituosos com certas cidades, regiões, raças, e condição espiritual. Por exemplo: tem gente que não “ministra” em certos lugares porque há muita frieza espiritual, eles só querem “ministrar” em lugares que já estão “avivados”.
• Ídolos gospel que se isolam da liderança espiritual de sua igreja para não precisar responder a ninguém sobre seus trambiques e pecados. Aparentemente chegaram num nível tão alto que não precisam mais de pastor e de igreja para acompanhá-los, agora podem caminhar sozinhos. Por isso temos visto tanto insubmissão e rebeldia em “ministério grande”.

Quem é o responsável por este show de horrores? Quem é o culpado? Penso que o culpado somos todos nós que fazemos parte da igreja pois temos alimentado nossos ídolos. Damos a eles o que eles pedem, e é por isso que as exigências aumentam a cada dia. Enquanto pagamos 25 mil reais pra um irmão cantar num evento, deixamos missionários morrerem de fome aqui no Brasil e lá fora. E ainda dizemos: se o missionário passa fome é porque está em desobediência. Quanta hipocrisia!

A coisa está tão feia que ninguém pode denunciar os pecados da igreja. Se alguém se levanta contra essa pouca vergonha dos absurdos cachês e exigências, dos pecados escondidos, da rebeldia contra os pastores, da idolatria escrachada, da tietagem é rapidamente apedrejado pelos idólatras daquele determinado “deus gospel”. É igualzinho no Velho Testamento: “não desrespeite o meu deus que eu não desrespeito o seu”.

Meus irmãos não me entendam mal. Não me interpretem mal. Estou aqui tecendo pesadas críticas contra a idolatria. Estou denunciando o pecado, não o pecador! É disso que tenho nojo, e é contra este terrível pecado que temos que lutar. Se a Igreja não acordar colherá frutos tenebrosos. Se sabemos da existência de um Deus verdadeiro, se conhecemos o seu amor, e o trocamos deliberadamente por outros deuses, vamos pagar caro por isso. Aliás, já estamos pagando caro por isso!

Deixe-me fazer algumas perguntas que atualmente tem feito meu coração doer: - Quanto Jesus cobrou para exercer seu ministério e morrer na cruz por nós? Qual foi o cachê que Paulo cobrou para ser aprisionado junto com Silas nas piores prisões da época? Quais foram as exigências de nossos irmãos que morreram recentemente na China por não negarem o Evangelho? Quanta glória Jesus quis tomar para si quanto o chamaram de bom mestre? Quantas viagens Paulo negou por não atenderem suas exigências?

Precisamos urgentemente de referenciais que apontem para Deus. Precisamos de mártires. Precisamos de humildade, simplicidade e pureza de espírito. Precisamos nos arrepender. Precisamos saber que “...o viver é Cristo, e o morrer é lucro”. (Filipenses 1:21)

Quanto aos ídolos de ouro que levantamos... não precisamos deles!

"Então disse Jacó à sua família, e a todos os que com ele estavam: Tirai os deuses estranhos, que há no meio de vós, e purificai-vos, e mudai as vossas vestes". (Gênesis 35:2)

Um abração em Cristo Jesus




Ramon Tessmann
http://www ramontessmann.com.br